segunda-feira, 30 de maio de 2016

Porque é que eu respondo sempre a emails, mensagens e devolvo sempre chamadas?



Eu nunca gostei de deixar ninguém sem uma resposta, nem que seja, “eu li a tua mensagem” ou “agora não posso atender” ou por vezes até respondo “não sei, tenta perguntar a outra pessoa”. Por uma questão de consideração respondo sempre. Confesso que desde que comecei a fazer voluntariado regularmente tenho ainda mais respeito por quem me manda mensagens.  Por outro lado vejo que quando sou eu a enviar mensagens nem sempre obtenho resposta, nunca percebi bem porquê? É normal que as pessoas não respondam, porque não se querem incomodar, por não tenham grande consideração por mim, ou porque até não dão assim tanta importância à mensagem, ou é o habitual nelas. 

Acho que tenho de aprender com esta gente, que quando não quer e não lhes interessa não diz nada e ponto.

Já há muito tempo que ando a treinar isso, mas por falta de coragem, por amizade ou por consideração, não tenho obtido grandes resultados, nem com um lembrete no google calender, avisar para não responder à pessoa y ou x, consigo grandes resultados.

Na sexta-feira passada aconteceu-me uma situação mais ou menos caricata. Era o dia antes de um fim-de-semana dedicado a fazer voluntariado numa vila no interior do país. A Carolina sempre me deu boleia, desde que entramos no mesmo ano para este grupo, se numa fase inicial foi bom, deu para criarmos uma boa, achava eu, relação de amizade, com o tempo este favor tornou-se bastante amargo. 

Nunca percebi o comportamento da Carolina, embora seja meiga, extremamente prestável, amorasa e tudo mais que se possa imaginar, há certas coisas completamente disfuncionais naquela personalidade. Por um lado telefona, oferece boleia, e quando estamos em grupo foge de mim, se estiver a falar com alguém, ou se estiver num lado da mesa numa refeição, ela vai para outro, por vezes até parece que espera que eu me sente ou vá para um sítio para ela ir para outro. Um autentico jogo do cão e do gato, em que em privado, ou quando ninguém está a ver se tem uma atitude, e em público se tem outra completamente diferente. Enfim, ainda estou para entender isso, mas voltando há historia da semana passada.

Na quarta e na quinta feiras passadas estive com a Carolina, e ao contrário do que é habitual não me ofereceu boleia para o local o grupo se iria reunir no sábado de manhã, para partíssemos juntos para um fim-de-semana de “missão”. 

Engraçado que quando esta situação me vinha à memória, pensava a Carolina só me vai dar boleia se o João lhe pedir também. Eu sei que ela não quer estar sozinha com ele, não só porque ele é muito chato, mas porque ele andou atrás dela e também porque ele é deficiente. E assim aconteceu pelas 9.30 da noite começou a troca de mensagens, estupidamente mantidas e alimentadas por mim, só para ser simpática, não criar mau ambiente no grupo e confesso também me fazer um pouco de boazinha, mas também por vezes temos de saber jogar.

A troca de mensagens foi esta:


Carolina: Lina, amanhã vou buscar- te a casa, ok! Aviso quando estiver a caminho, Um beijo e até amanhã.


Eu: Eu posso ir ter ao marquês a não ser que vás buscar o João. Posso ir também de metro, tu já tens muito trabalho não quero que te incomodes. Beijos e vai ser um óptimo fim de semana tenho certeza.
Beijos até amanhã


Carolina: Sim também vou buscar o João e passo a buscar te em casa para não carregada. Fica assim combinada ok! Amiga? Beijinhos e até amanhã


Se na primeira mensagem notei, por parte dela muita arrogância parece que me queria obrigar aceitar boleia, e a impor a vontade dela. Nesta segunda mensagem ainda foi pior ela decide o que quiser da minha vida e já está.


Mas a conversa continuou em tom sínico


Eu: Não precisas eu vou de metro, obrigada à mesma, beijos


Carolina: Tu prometeste que já não ias fazer mais fitas destas. Eu vou te buscar sem problema.


Eu: Carolina é mesmo na boa, só se não te sentires confortável ires sozinha com o João, ou não o conseguires atures. Se for um desses casos tudo bem. Se não tu não és taxista.


Carolina: Lina, tranquilo conta com a minha boleia, um beijinho.

No outro dia de manhã, quando já me tinha passado a neura e estava com um coração mol. 

Eu sou assim, quando estou nervosa digo tudo e mais alguma coisa, passado algum tempo já nada tem importância.


Eu: Bom dia Estou na Doce Alto no Marquês, Até já.


Carolina: Daqui a nada saio de casa e vou buscar o João, Aviso quando estiver a chegar ao Marquês


Eu: Oh então vou de metro, não vou estar à espera. Obrigada


Carolina: Faz como preferires

Eu: Obrigada à mesma até fico mais contente por ires buscar o João. Beijos até já.


Não sei o que a Carolina sentia ao mandar-me as mensagens, eu sei que queria fugir dela. Sei que não tenho coragem de dizer directamente “eu não quero andar de carro contigo”, porque posso vir a precisar, mas sobretudo porque alimento a esperança numa amizade que só existiu da minha parte.


Tenho a certeza qua a Carolina no sábado não me ofereceria boleia se o João não pedisse, até porque ela quando estamos em grupo quer estar ou levar no carro dela, outras pessoas, penso que numa tentativa desesperada para fazer amigos. O que é legitimo. Eu sinceramente também gosto de estar com outras pessoas, mas gostava de a ter também como amiga, dava-me outra segurança. E era uma amiga.


Não sinto que haja amizade da parte dela, sinto é que devo desistir, já tivemos quatros anos para criar essa amizade e não resultou. Quando não dá não dá, não há nada que se possa fazer.


Não deveria ter mantido esta troca de mensagens, já não é a primeira vez, e não é a primeira vez que eu penso, não respondo é melhor não responde, ou mandar uma mensagem vamos tomar um café e pomos os pontos nos Is, mas ela também nunca quis tomar café comigo. Essa é outra longa história, que tenho para contar……

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