sexta-feira, 17 de junho de 2016

Porquê desistir agora, quase no fim?



Ainda nem acredito que estou a desistir do teatro, a uma semana da apresentação final, o que quero mesmo é desistir, desaparecer de lá sem dar cavaco a ninguém, nem se quer me justificar.

A verdade é que estou completamente desmotivada, e sem motivação não há nada que eu posso fazer, nada mesmo.

Já há algum tempo tenho comentado com a minha irmã e confidente, sobretudo das coisas menos positivas, que as coisas não estavam a correr assim tão bem nas aulas de teatro. Nunca comentei isso com ninguém até porque as pessoas com quem vou comentando a minha vida, por vezes parecem ficar contentes com o meu insucesso. Sinceramente não estou para dar esse prazer a ninguém.

Mas voltando às aulas de teatro, que é por isso que estou a escrever, acho que desde janeiro ou fevereiro que noto que qualquer coisa não está muito bem, não sei bem o quê. Várias vezes pensei em falar isso com a professora, reflecti muitas vezes sobre isso. Invariavelmente cheguei sempre à conclusão que não valia a pena, não me iria levar a lado nenhum. Talvez se tivesse falado seria eu a dizer uma coisa, e a professora a dizer isso não é nada assim são minhocas na tua cabeça. Provavelmente sim ou talvez não.

Tenho plena consciência que não tenho jeito para o teatro, também não foi para ser atriz que comecei a ter aulas. Quis experimentar esta actividade porque queria desenvolver uma parte em mim pouco trabalhada, que é a parte artística. Nunca tive aulas de música, teatro, dança, ou pintura e sei que nesta área não estou nada confortável. Normalmente estas actividades são desenvolvidas quando somos crianças, mas também aprendi a nadar em adulta, não sou grande nadadora, mas sei nadar. O mesmo aconteceu para o inglês, não sou nenhuma falante natural, mas desenrasco-me.

Com o teatro queria treinar a parte, de falar à vontade em público e a expressão corporal, para além da parte criativa e de improvisação. Estas duas últimas vertentes, acho que as conseguia avivar mais, talvez por ter feito um grande esforço da minha parte. A vertente de expressão corporal que queria ter trabalhado nas aulas, ficou muito aquém do que eu queria, ou tinha sonhado no Inicio do ano.

Tive momentos muito divertidos, sem dúvida, chegava muitas vezes a casa e contava as aulas à Inês como imenso entusiasmos. Até que comecei a perceber que qualquer coisa de “anormal se passava”, não sei bem o quê, acho que nunca o vou saber. E não tinha nada a ver com a minha falta de jeito, porque verdadeiramente só a Carla e o Daniel têm bastante jeito para a “coisa”. Sinceramente acho que as pessoas que já lá andavam há dois ou três anos, não aprenderam literalmente nada, estavam mais ou menos ao meu nível, ou até pior.

Talvez nunca tenha criado empatia com a Ana, embora numa fase inicial eu gostasse bastante dela. Talvez me tenha aproximado demais dela numa fase inicial e ela não gostou, é claro afastou-se. A professora também dava aulas a crianças com autismo, talvez por isso olhe para mim de uma maneira diferente, porque eu tenho um problema de visão e nunca consegui ler bem os textos. Embora eu tenha assumido isso como uma coisa natural, nunca senti qualquer complexo de inferioridade. Rapidamente comecei a perceber que era a última a ser chamada para fazer os exercícios, ou às vezes nem me dizia para fazer nada, e os colegas é que chamavam à atenção, era estranho, mas em vários casos foi isto que aconteceu e não era impressão minha. Enfim por vezes até sentia que me sentava perto dela e ela se afastava, enfim

Lembro numa vez que ela filmou as actuações de toda a gente e a minha interrompeu-a, dando a desculpa que recebeu uma chamada telefónica. Com esta confusão de sentimentos e de situações mal resolvidas o melhor que posso fazer é afastar-me.

Desisti, e estou tranquila e aliviada por isso. Não costumo seguir os conselhos da minha irmã, ir embora sem dizer nada, pura e simplesmente desligar, mas nesta situação é o que sinto que devo fazer.

É bom conseguir escrever e falar sobre isso, dá me uma certa tranquilidade parece terapêutico. Apesar disto não vou desistir de investir na minha vertente artística, talvez até no teatro, mas agora sem me estar a comprometer com nada e completamente se definidor objectivos ou colocar as espectativas muito altas.

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