“Ó
minha senhora eu não penso nada, literalmente nada, é que nada mesmo” Como é
que eu posso pensar em alguma coisa às 8 da manhã, quando ainda estou meia a
dormir, sem ter tomado o meu café habitual e numa altura em que ando tão cansada! Para
além disso não tenho grande conhecimento sobre este livro, nem tenho grande
interesse em ter, é grande de mais, tem as letras muito pequenas e não tem
bonecos. Eu só me interesso por livros infantis ou de banda desenhada, a Bíblia
não preenche esses requisitos, por isso não me desperta a mínima curiosidade.
Hoje
devo ter acordado como o “tau”, isto de ser abordado logo de manhã ao sair de
casa por duas senhoras, por acaso muito bem vestidas e com muito boa aparência
a falarem de religião, tem que se lhe diga, e faz me pensar, neste caso reflectir.
Uma
das senhoras quando me abordou, com uma pergunto muito direta “O que pensa da
Bíblia”, deixou –me completamente sem resposta, pelo menos poderia ter me dito
bom dia e sorrido para mim, de certeza que me iria conquistar com muita mais
facilidade, pelo menos iria ter de volta outro bom dia, um sorriso e um bom fim
de semana. Mas isto não era de certeza o objetivo daquela senhora com tão boa
aparência, de facto ela só queria mesmo era dar a conhecer a religião e talvez
a fé dela, não sei bem, nunca percebo muito bem os que estas pessoas pretendem
quando andam pela rua a distribuir papeis como de campanha eleitoral se
tratasse, embora já nem os políticos façam isso, definitivamente esse é um
método ultrapassado e que não resulta.
A
conversa com esta senhora de muito boa aparência terminou com ela a dizer: “deixo-lhe
aqui este papel para reflectir” e eu furiosa a pensar já pertenço a um grupo
que nos está sempre a pedir para reflectir e eu odeio isso, é mesmo o que menos
gosto nesse grupo, e vem esta pedir para reflectir, lol!
Mas
ela conseguiu que eu reflectisse mesmo estando pelos cabelos com esta abordagem,
os meus pensamentos levaram-me para estes dois aspectos bem distintos:
O
primeiro sobre a minha figura, eu devo ter cara de santa, para atrair tantos
pedintes e tantas pessoas a fazerem propaganda de religiões. A sério, mesmo a
sério, porque é que as pessoas quando olham para mim acham que lhe vou dar
esmola, ou que estou à procura de uma religião, ou de um sentido para a vida.
Talvez até ande à procura de um sentido para a vida, mas não é na religião,
acho eu. Sou uma pessoa tão séptica, acredito essencialmente naquilo que vejo,
ou naquilo que tem um explicação física ou palpável, como é que é possível
estarem me sempre a impingir uma religião. É engraçado muitas amigas e pessoas
próximas também têm assim uma ideia um bocado estranha sobre mim. Quando
falamos em assuntos tipo reiky, meditação, yoga ou vidas passadas e eu digo que
isso não é a minha onda, nem isso se enquadra na minha maneira de ser, toda a
gente fica admirada e comentam “o quem diria tem cara de quem gosta disso tudo”.
Gostava de saber se há uma cara ou um perfil de pessoa para gostar desse tipo
de coisas. Será que é por ser muito calada ou por ter uma pele branca e pálida,
não sei, mas até gostava de encontrar uma resposta para isto.
O
outro ponto em que pensei foi sobre o que move estas pessoas que andam pelas
ruas e espalhar a religião, e no Porto há imensa gente a fazer isso.
Eu
nunca percebi muito sobre o que é ter fé mesmo de verdade, embora até tenha um
irmão padre, e tenha uma origem numa família profundamente católica, nunca
percebi o que move esta gente. De certeza que estas pessoas crêem mesmo eu Deus
e sente a sua presença dentro delas. São admiráveis as manifestações de fé,
sobretudo o que leva tanta gente a reunir-se para rezar, ou o que leva tanta
gente a ir por exemplo a Fátima, a Lourdes, a Meca ou aos templos Budistas ou Induz.
O que as leva a fazer tantas promessas, sei lá. Embora as religiões sejam todas
diferentes, acho que toda a gente procura o mesmo, ter uma vida melhor,
resolver os seus problemas, estar em paz com elas e com o mundo.
Não
sei se gostava de partilhar destas vivências, gostava de saber o que as pessoas
sentem mesmo no íntimo e no seu coração. Eu fui educada na religião católica e
ainda sou praticante. Não sei muito bem como explicar isto, mas sei o que me
vai na alma, sei que sinto muito amor, amizade, compaixão (mas não pena),
vontade de ser feliz e de ver as outras pessoas felizes. Também vão passando
pelo meu íntimo sentimentos de dor, tristeza até ódio e raiva. Vou vivendo com
muito sentimentos positivos, mas também negativos, mas não sinto nada em
relação à fé e às crenças, por isso queria mesmo saber o que invade a alma
dessas pessoas e a minha não. Talvez sinto a presença de Deus da mesma forma que eu sinto o amor, ou o sentido de generosidade, em princípio deve ser isso.
Para amar, dar e partilhar não é preciso ter uma religião basta optar por uma vida mais simples e de mais entrega, não sei, mas talvez a fé traga esperança, ou alívio para as dores físicas e espirituais, sei que devo respeitar isso, embora não entenda muito bem, mas com em tudo na vida é uma questão de aceitar.
Para amar, dar e partilhar não é preciso ter uma religião basta optar por uma vida mais simples e de mais entrega, não sei, mas talvez a fé traga esperança, ou alívio para as dores físicas e espirituais, sei que devo respeitar isso, embora não entenda muito bem, mas com em tudo na vida é uma questão de aceitar.
A
aceitação vai sendo o remédio para muitas das minhas dúvidas. Mesmo com muitas
questões minha cabeça, o aceitar parece me ser o melhor caminho.

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