quarta-feira, 9 de maio de 2018

Liberdade…


 

Em que momentos me senti, ou me sinto realmente livre?


O que não me deixa ser efectivamente livre? Quando vivo num país democrático, onde me é permitido dizer e fazer praticamente tudo o que quero.


Onde está a minha liberdade enquanto ser individual e em plana consciência de todas as decisões e opções que tomo para a minha vida? Já sou responsável pelas minhas decisões e opções  pelo menos desde os 18 anos. Desde essa altura que não tenho de dar satisfações a ninguém sobre aquilo que quero e que faço. 

O que me aprisiona. Porque não sou realmente livre?

Eu, dentro do meu EU, poucas são as vezes que sou livre, ou em que me sinto realmente livre. Poucas são as vezes em que sou realmente autêntica e genuína. São tantos os factores que influenciam o meu SER no estado mais puro. São muitas a vezes que fico limitada pela distracção, ou pelo pouco sentido de observação, ou pelo, deixa para lá, não interessa. Mas a limitações não ficam por aqui, os nervos, a ansiedade, o estar deprimida ou eufórica demais, as vivências que tive no passado, os meus preconceitos, os estereótipos sociais a que eu quero forçosamente obedecer e muitas outras variantes que me limitam.


Mas então em que momentos eu sou ou fui realmente livre?


Fui livre:


  • Durante a infância, quando corri pelos campos, protegida pelo amor dos meus pais e irmãos. Sim porque sem amor ou suporte emocional ninguém consegue ser livre, livre para tomar decisões, livre para ser criativo e também comer muitos erros e muitas loucuras. Ainda sou livre quando estou com a minha família, são eles que me dão o maior suporte para ser livre.  
  • Fui livre quando estudei em Aveiro e encontrei o mundo novo quer de pessoas, quer em conhecimento, esta fase deu-me asas para eu voar;  
  • Fui livre nas primeiras vezes que recebi o meu salário e pode usufruir deles sem grandes preocupações de poupança;

Sou ainda livre quando:
Escrevo;
  • Nado sobretudo no mar, mas também na piscina, ou quando vou ao ginásio;
  • Danço, sem me preocupar com a coreografia, ou com quem está a ver;
  • Estou descontraída na conversa, seja com quem for, agora já não me interessa que sejam amigos ou conhecidos, ou desconhecidos;
  • Na praia ou no campo, basta estar ao ar livre;
  • Senti-me livre quando passei duas semanas em Seia, na comunidade terapêutica da Casa de Santa Isabel, não só por ter umas férias dedicadas ao Outro, mas por estar perto de pessoas com valores idênticos aos meus, quase tudo naquele mundo tinha a ver comigo;
  • Fui livre em todas as caminhadas que fiz a Santiago, sobretudo na última em que tomei mais consciência do que era a liberdade enquanto ser individual;
Sou principalmente livre quando encontro paz e tranquilidade dentro de mim, esse sim é o mau estado mais puro e é para alcançar este objetivo que eu trabalho tanto todos os dias.
 

São tão poucos os momentos de liberdade, o que posso melhorar em mim para cada vez me sentir mais livre?


Uma das coisas que mais me aprisiona é sem dúvida o trabalho, mas eu sei que tenho de estar no trabalho e que não posso viver sem ele. Dentro desta condição onde vou encontrar o equilíbrio de liberdade. Não é fácil, muito do meu pensamento vai para o relativizar, para o conhecer e entender melhor o comportamento dos outros, para além do aceitar, que nunca vamos ser os preferidos e escolhidos, mesmo que eu esfole a trabalhar e até que seja a melhor, nunca terei o reconhecimento devido. Não quero com isto fazer-me de coitadinha, nem sequer resignada este tipo de injustiças e a esta minha condição, o não dar tanta importância a este tipo de coisas para mim já é uma forma de me libertar.


Relativamente aos estereótipos /preconceitos sociais aos quais estou presa pela minha condição física. Há uns tempos quando falava com o namorado de uma colega minha de trabalho e lhe dizia que ficava para traz, por ter um problema de visão, ele respondeu “as pessoas têm naturalmente preconceitos e esse pode ser um bom motivo para o preconceito”. Nada mais tão simples. Óbvio que eu posso fazer o meu melhor, se com isso a opinião dos outros não mudar, bom, acho que o que os outros pensam deve deixar de ser problema meu. Tenho a certeza que haverá sempre pessoas a gostar de mim, tal como sou.


E a condição económica, para além de nos condicionar naquilo que possamos ter ou não ter, é um importantíssimo fator que condiciona o estatuto social e consequentemente nos facilita ou dificulta a vida. E quando falo de dinheiro não falo em bens matérias, consigo viver mesmo com muito pouco, já consegui viver com menos ainda, nem de acesso à educação, saúde ou cultura, porque vivemos num estado social, e conseguimos muita ter acesso a estes bens de forma mais ou menos gratuita e até com qualidade. Mas condiciona sim a forma como os outros olha para nós, o “poder” que os outros nos dão, esta rede de influencias que o dinheiro nos dá, traz-nos muitas oportunidades, tanto de trabalho, de participação em eventos e oportunidades de convivo, que nos traz saúde social. Sem dúvida que há maneiras de contornar esta situação, não é fácil, a condição económica é um grande facto de exclusão social. 


Muitas das pessoas que têm pouco dinheiro, estão na situação de exclusão social, não só pela falta de bens materiais, ou por falta de acesso à educação, cultura ou saúde, mas porque são postas um pouco à margem da sociedade, não são convidadas para ou jantares ou festas, ninguém quer estar com elas ou passear com elas, não é chic, as pessoas ricas, ou filhas do Dr.X, ou do Professor Y, só por esse facto, é-lhes dado bastante crédito e bastante poder. Cabe a cada um enquanto SER individual contornar esta situação, fazer o melhor que pode, relativizar o comportamento dos outros, muitas das soluções para estes problemas extrínsecos a nós passa por relativizar, e encontrar alternativas que nos tragam liberdade e felicidade.


Apesar de todas estas condicionantes é possível reagir, e fazer o melhor que se pode, haverá sempre pessoas que estarão não nossa condição, haverá sempre pessoas que não se importam assim tanto com isso, há sempre coisas alternativas que nós poderemos fazer, para além de fazermos o melhor com aquilo que temos. Sobretudo poderemos ser gratos por aquilo que conseguimos, a gratidão é uma das maiores virtudes.


Ser livre não é uma tarefa fácil de alcançar, implica muito conhecimento e muito auto-controle, muito relativizar e agradecer. 


Ao longo da nossa vida teremos sempre vários estados de liberdade, umas vezes com mais outras com menos, na certeza que precisamos sempre de estar presos a alguém ou alguma coisa que nos dê conforto, confiança, amor e que no faça sentir seguros.



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