Ainda ontem regressei de férias e
pensava que tudo estava calmo, mais concretamente com duas das pessoas com quem
costumo almoçar, a Conceição e a Rita. Pelos visto não, tudo continua igual, ou
ainda pior. Cada vez mais penso nisto e acredito, a felicidade ou a paz já é
uma coisa intrínseca em cada um de nós. Pelo que vejo não há dinheiro nem
sucesso na vida pessoal ou profissional, nem beleza física e até nem a saúde
que traga felicidade as pessoas. Contra mim falo, quando estamos embrulhados em
confusões é mesmo difícil sair delas, parece que nos focamos de tal forma nas
confusões que nos é difícil sair.
A Rita ainda não a vi desde que regressei, achei estranho e perguntei por ela. Segundo me disseram na segunda-feira ficou em casa com uma gastroenterite, teve que levar soro e tudo. Veio trabalhar na terça e na quarta-feira meteu atestado devido ao stress, meu Deus. Na hora de almoço só se falava das confusões no departamento dela, claro que não disse nada, nem iria dizer, mas a Rita também gosta muito disso, Já está génese dela criar empatia com as pessoas (e consegue sempre), quando se farta delas arranja qualquer maneira de as chatear. Ainda faz uma coisa pior, arranja sempre um esquema de mais alguém se chatear com essa pessoa e ela fica sempre bem no filme, ou porque se vitaminiza, ou pela simpatia, ou pela confiança com que fala mal das outras pessoas. É uma pessoa mesmo de muita cusquice, já senti isso na pele, porque dividi casa com ela durante oito anos, confesso que não é uma coisa bonita de se ver nem de descobrir que te estão a lixar. Olhando para esta situação de fora, e com a cura que o tempo sempre acaba por fazer até acho os jogos que a Rita faz com as pessoas cómicos e por outro lado um pouco reconfortantes, é sinal que não sou a única a cair na esparrela, o pessoal que se acha espero e e espevito ainda cai com mais facilidade nas tramoias delas que eu. Sem dúvida surrial.
Quanto à Conceição, eu nem sei bem o que pensar. É daquelas mulheres lindas, apesar dos seus quase 50 anos, faz inveja a qualquer uma de 30. Tem um casamento de sucesso, uns filhos que adoram, ganha muito bem, tem uma situação económica invejável. Este ano fez duas vezes férias fora do país e está sempre de mal com a vida, sempre nervosa, sempre com minhocas na cabeça.
Hoje foi a primeira vez que a vi
depois de férias, pensava eu que quando a encontrasse, ela estaria feliz calma
e em paz, nada nem pensar ainda está pior. Muito nervosa, a falar alto, até um
pouco descontrolada. Apetecia-me dizer-lhe “olha para ti e para a tua vida e
depois critica os outros”. “Quando te conheci eras tão simpática e tranquila e
agora estás tão nervosa”. Mas não valia e não vale a pena, ainda iria piorar a
situação, acho que ainda agravaria a discussão.
Meu Deus, o que aquela rapariga foi e o que é agora, às tantas sempre foi assim, eu é que nunca reparei ou sempre vi serenidade, beleza, segurança e até muito amor pelos outros. Talvez seja uma fase em que ande mais instável, espero que passe, mas sinceramente acho que já não tenho nenhuma esperança. Acho que as características agradáveis que descrevi dela são o reflexo de como eu olhava para ela, e não são exactamente a realidade, quando somos amigos de alguém temos sempre a tendência e ver os pontos positivos e a camuflar os negativos.
Tal como a Rita, a Conceição é daquelas pessoas que sabe tudo de toda a gente, e cria de tal forma empatia, que toda a gente acaba por lhe contar tudo e mais alguma coisa. Mas em vez de ficar calada, ouve aqui conta ali. Sabe exatamente o que é melhor para a vida dos outros e o caminho que devem seguir, só não sabe é da vida dela, ou quando tem problemas não os consegue resolver, fica em pânico.
Hoje reparei quando fomos tomar café ela não se sentou na nossa mesa como habitual, mas sim numa mesa onde estavam algumas colegas que também estão sempre envolvidas em confusão. A Elisabete é daquelas pessoas muito instáveis tanto está bem como mal. A Cármen que ninguém gosta dela e mete sempre o nariz onde não é chamada e a Paula que está sempre passada da cabeça.
Agora que estou a escrever sobre isto verifico que as pessoas com o mesmo perfil se juntam sempre. Noutra mesa fiquei eu a Marisa e a Alice. Não é que eu seja uma santa nem pouco mais ou menos, mas elas as duas estão sempre de bem com a vida. Pelo menos a Alice, que está sempre na maior e é a melhor em tudo.
Sinceramente não me apetece muito estar com a Conceição, mas vou estando presa à imensa vontade de sair do meu local de trabalho para almoçar, e de não perder contactos. Sei que me tenho de concentrar em procurar alternativas a esta situação pois não é nada saudável para mim.
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