É triste, não dá para contar a
ninguém, até tenho um pouco de vergonha, por isso não falo, nem com a minha
irmã, minha confidente, mas já lhe tenho contado tanta coisa, que com isto ela
me mandaria dar uma volta.
Então vamos lá a isto.
Na quarta feira passada, durante
o jantar de natal, com o grupo de voluntariado, sim esse que apregoa ao quatro
ventos a fraternidade entre as pessoas.
Uma das dinâmicas durante
habituais do jantar é distribuir as pessoas aleatoriamente, com o objetivo de
todos se conhecerem e de não ficarem pessoas excluídas, eu até concordo com
isso, também porque não tenho o meu grupo definido, nem tantos amigos assim.
Coincidência, das coincidências fui
logo ficar ao lado da Carolina, uma pessoa de quem já fui muito próxima, agora
acho que nunca fomos amigas, ou então era eu só eu amiga.
Acho que ela e a Isaura, não se
aperceberam do comentário que eu ouvia delas.
I- Então ficaste outra vez perto dela?
C- Sim isto é
por sorteio
I – Odeio esses
sorteios
Entretanto a Isaura tirou o
papelinho dela e foi-se sentar no lugar dela, eu levantei-me e fui ter com a Joana,
que é minha amiga.
Surpreendente, não estava mesmo à
espera deste comentário, até porque no dia anterior tinha estado com a Carla no
meu trabalho e tinha a ajudado, as mensagens que trocamos foram após este
encontro foram estas:
Inacreditável, mas sempre foi um
pouco estranha a minha relação com a Carolina, por isso, tenho mesmo que ser eu
a colocar um ponto final nesta estranha forma de “amizade”.
Nem sei muito bem o que me faz
sempre voltar a falar com a Carolina, quando nós já passamos tanto tempo sem
falar.
Deixamos de falar, há uma ano atrás,
quando ela deixou de ser chefe do grupo, numa altura que só eu fiquei ao lado dela,
toda a gente a deixou ficar sozinha. Porque será que a deixaram ficar sozinha?
Voltamos a falar em janeiro e
deixamos de falar quando no fim de semana de reflexão que ela não foi por causa
de uma gripe, e eu não lhe respondi às mensagens, não ia estar o fim de semana
a trocar mensagens.
Falamos na reunião a seguir
quando eu lhe perguntei se ele estava chateada, e ela voltou a falar.
Deixamos outra vez de falar
depois da caminhada, voltamos a falar no SunSet do Xico, em julho.
A partir daqui deixamos de falar
verbalmente, trocamos algumas mensagens, mais ou menos até outobro, numa
caminhada que Sara organizou e que nos levou outra vez a falar.
Neste período de tempo a Carolina
mandou-me mensagens, numa vez porque viu no facebook que eu fui aos anos a Ana,
na outra porque viu que eu fui aos anos do Carlos. Engraçado nesta última vez
ela estava de férias na Malásia, eu tinha bloqueado o acesso pelo facebook, até
porque a troca de mensagens com ela me incomodava. Mas mesmo assim ela não
desistiu e enviou um email, a qual eu respondi. Imagino o estado de ansiedade
dela, para não conseguir desligar nas férias. Num sítio altamente, onde deveria
estar muito grata por isso e preocupada com o que os outros estava a fazer.
Passado uns dias mandou me um
email para combinarmos um cafezinho em Lamego, minha terra natal, ao que
respondi que não podia, pois não iria estar lá de férias. Da forma como foi
escrito parecia que me estava a fazer um frete:
Até porque eu sugeri que combinássemos
um cafezinho no Porto e ela nem sequer respondeu. Eu até entendo eu tenho um
problema de visão e ela tem vergonha de mim, para além disso sou pobre. Ela
sempre foi muito complexada com ela própria, talvez seja por isso que não me
aceite a mim.
Como tinha dito voltamos a falar
na caminhada da Sara a Viana do Castelo, depois disso fomos juntas a Casa da
Música e fizemos outra caminhada neste caso a Server do Vouga, onde não
trocamos uma palavra sequer. A Carolina manteve-se muito calada, e nesse dia
não me ofereceu boleia, coisa estranha, mas nem liguei sequer. Não ofereceu
ela, ofereceu a Joana. Aliás foi muito agradável, depois acabei por jantar com
ela.
No último capítulo da história,
está a tal conversa que eu ouvi. Nestes dias a Isaura fez anos e penso, não
tenho, ou até tenho a certeza que a Carolina combinou cafezinho com ela só para
falar mal de mim.
Cabe a mim encerrar esta história
a maneira ideal era sair do grupo, para já isso não quero, mas vou ter de
deixar de falar tanto com a Isabel como com a Carolina, tenho de ter forças
para conseguir isso, isso só depende mesmo de mim. Tenho mesmo de o fazer. Não
vale mesmo a pena andar para traz e para a frente, já são demasiados
desentendidos juntos. Sei que deveria ter uma conversa com a Isaura, mas não
iria adiantar de muito, acho que de nada. A melhor forma de resolver este
assunto é mesmo deixa-lo para traz.


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