Não sei bem,
Por vezes penso que esta fase menos boa,
não vai passar, ou que com a idade terei crises depressivas mais vezes e mais
prolongadas. É verdade que não tenho conseguido manter a calma e ter paciência
por muito tempo. A impaciência é mesmo um sentimento que me tem dominado nos
últimos tempos. Falta de paciência e ansiedade tem mesmo dominado a maior parte
dos meus dias, ultimamente. Este estado não tem nada a ver com o que a paz e
tranquilidade que senti durante a maior parte dos 40 anos que já vivi, sou
sempre muito grata pela paz que sempre senti.
Apesar deste sentimento de tranquilidade
que me dominava sempre passei por fases de maior nervosismo, que não chegavam a
durar mais que uma parte do dia, durante alguns dias. Desde setembro que parece
que este estado se inverteu e as vezes que estou mais calma são poucas e duram
muito pouco tempo.
Talvez tenha algumas razões, ou até menos
capacidade de recuperar.
Perdi muita coisa nos últimos tempos, sim,
ou talvez até tenha ganho, o futuro o dirá:
Perdi as colegas da hora de almoço, ou
talvez só a Marisa, que as outras já as tinha perdido a muito.
Perdi também a Célia, talvez tenha ganho a
Joana, fiquei a saber exatamente quem a Ana é, e é muitos conflitos no trabalho
mesmo, muita ambição, muito exibicionismos e muita falsidade mesmo. Mas isso
ela é que sabe, é mesmo problema dela… ou não! Eu não posso, nem devo julgar
ninguém… Só afastar-me e estar mesmo muito atenta.
A degradação ou afastamento da Célia foi
uma das coisas que mais me custou, foi como se fosse deixada sozinha entregue a
minha sorte. Desde setembro que virou uma pessoa muito estranha mesmo. Quando
vim das férias estava com um comportamento inimaginável para a pessoa meiga que
conhecia até então. A Joana diz que é de ter virado chefe, eu acho que
“emprenhou pelos ouvidos da Ana”.
Tentei falar com ela duas vezes para
reverter esta situação, não resultou, nada resultou, ao ponto de me chatear e
criar mau estar com o resto da equipa até com o chefe, o chefe verdadeiro.
Curioso há uns tempos falei com um colega sobre isso, que me disse que era uma
situação má, que tinha de fazer qualquer coisa para mudar isso. Engraçado que a
maior parte das pessoas com quem falei sobre este assunto me ía dizendo que
tinha razão. Ele não disse nada, simplesmente um “tens que mudar essa situação
porque é desvantajosa para ti”.
Ainda esse colega, quando uma vez lhe
disse que era discriminada porque era pobre e tinha um problema de visão,
simplesmente me disse “as pessoas descriminam por qualquer coisa, essas podem
ser boas razões”. Nada mais, nada de vitimizações, nem de queixinhas, nem tens
razões nem penses nisso. Tão simples tão fácil.
Independentemente de tudo isto que me
rodeia, tenho de fazer mais qualquer coisa. Sempre fui muito sozinha, nunca fui
de grandes namoricos, ou de namoros a sério. Quando algum homem se aproxima de
mim fico bastante nervosa, ansiosa, com um medo inexplicável, vou deixando
passar todas as oportunidades, simplesmente devido a minha insegurança. Tenho
medo de desiludir, tenho medo que não gostem de mim por causa do meu especto
físico. Penso também que tenho bastantes preconceitos, porque dada a minha
condição as pessoas que se aproximam de mim são muito problemáticas e eu
ambiciono uma pessoa “perfeita”, ou sejam sem problemas de saúde e financeiros.
Não precisa de ser bonito nem rico, só que não tenha mais problemas que eu.
Mudar este preconceito? Será essa a melhor
opção?
Também não quero mudar o meu estilo de
vida, ou por falta de paciência. Porque neste momento a minha mãe precisa de
mim e os meus irmãos também e eu não quero deixar de os ajudar.
Também gosto das minhas atividades extra
trabalho, vivo muito para elas e
Talvez pelo conjunto destes fatores todos
e mais alguns que eu tenho de descobrir.
A minha parte afetiva está muito mal
resolvida, esta é uma das vertentes mais importantes da vida, só porque ninguém
vive sem amor, sem ter alguém que cuide de nós, sem termos ninguém nos nossos
corações e sem morarmos no coração de ninguém.
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