segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Férias para esquecer



Já escrevi este texto há alguns dias, agora até me parece estranho, já não faz muito sentido, até porque as férias já são uma coisa muito longínqua, de qualquer forma vou o partilhar, porque faz parte da minha história de vida. Este blogue também, e vai –me relembrando que a escrita cura muitos males da alma e o tempo também.



Não me lembro de ter tido férias tão más como as de este ano, parece que nem tive férias.

Todos os anos durante as férias faço planos para os anos seguintes, este ano nem sequer penso nisso. Ainda não escolhi o que quero fazer para actividade extra trabalho, estou sem motivação para nada. Gostava de aprender a dançar, mas gostava de ter mais uma experiência com o teatro, que por acaso coincide com o dia do voluntariado à quinta feira. Não sei, só sei que não descansei nem planei o meu ano como queria. Se calhar nem deveria planear até pela situação de saúde da minha irmã e pela idade avançada da minha mãe. Ou como comentei com uma colega minha este ano irá ser o ano de me conhecer melhor.

Mas falando das férias, planei umas férias ao pormenor, uma viagem a Barcelona, para mim, meu sobrinho, minha irmã e uma amiga, que nunca fez férias fora de casa nem nunca tinha saído de Portugal.

Tudo correu mal desde o início e eu não tive a lucidez para desistir. A primeira coisa errada que fiz foi convidar a minha colega /amigam, nem sei como fiz isso até porque já tinha tido algumas divergências com ela, mas o meu instinto de amiga falou mais alto e lá a convidei.

Outra coisa incorrecta que fiz foi pagar a viagem a minha irmã e sobrinho, ela nunca teria dinheiro para pagar esta viagem, mas também nunca me disse que não queria ir. Em julho percebi que ela não queria de facto ir, pois teve dinheiro para pagar umas férias para ela e para o seu filho no Luso e para fazer dois ou três dias de férias em Vila Real, com uma pessoa que tinha conhecido no Luso. Percebi nesta altura que andava a mendigar atenção da minha irmã ao pagar-lhe uma viagem, no fundo eu é que queria companhia, ela não estava minimamente interessada na viagem.

A ida dela para Vila Real, foi para mim uma decepção ainda agora me custa acreditar que ela fez isso, mas de facto fez. Supostamente viria passar uma semana comigo e com a nossa mãe a minha casa, depois do tempo passado no Luso. Entretanto como estava como uma infecção urinária foi ao médico e depois de fazer exames descobriu que estava com o problema de saúde, um tumor num peito. Nesse dia viemos os três, eu, ela e o Samuel da Clínica, já por volta das três horas. Quando chegamos a casa a minha mãe estava deitada na cama sem almoçar. Decidimos almoçar a uma pizaria, no caminho a minha irmã revolveu que se iria para Vila Real ainda nessa tarde. Ainda me perguntou o que eu achava disso, ao que eu respondi, que ela deveria seguir o coração. E ela foi, seguiu o que o coração lhe disse, ainda a fui levar ao autocarro. De duas uma, da minha parte, ou sinto muito amor por ela ou sou muito burra, ou uma mistura das duas coisas, sei lá. Sei que fiquei de rastos, fiquei eu e a minha mãe sozinhas, para variar. Claro que a minha irmã é livre para fazer o que quiser, eu preocupada com a situação dela e da minha mãe e ela a divertir-se, é resiliência a mais da minha parte. Senti e sinto que lhe dou muito mais que recebo dela, por vezes sinto que ela não gosta assim tanto de mim, ou gosta, mas vai se estando a borrifar para mim em determinadas situações. Talvez eu espere muito mais dela do que ela me pode ou quer dar, não sei, talvez seja uma questão de gestão de espectativas e nesta situação eu faço uma gestão muito má. Vou tento cada vez mais a certeza que o meu caminho é mesmo sozinha, com a minha irmã não poderei contar, nem deverei ligar cada vez que tenho um problema, é preferível escrever. Se bem que ela quando tem problemas também me liga, e por vezes liga bem nervosa.

Mas é das férias que quero continuar a falar. Deveria ter desistido logo que a minha irmã soube do problema de saúde dela, até porque isso atrapalhou a realização de alguns exames, mas a Isabel já tinha pago a viagem dela e não podemos voltar atrás, ela estava mesmo decidida a ir e tinha razão, criou uma guerra com a família para conseguir fazer esta viagem. E venceu-a.

A viagem correu bem, apesar do azar fomos tendo alguma sorte. Falo de azar porque fiz a reserva da viagem pela net e o agente enganou-nos. Apesar disso a guia que nos acompanhou conseguiu mais ou menos resolver o problema. Mas poderia ter corrido mal, mesmo muito mal. Mas isto foi um problema menor.

O que tornou a situação mais complicado foi o grupo, nunca funcionou como grupo, andamos sempre separados. Eu tomei a iniciativa de começar a tirar fotos, conclusão eu não fiquei em nenhuma, porque nem a minha irmã nem a Isabel se ofereciam para me tirar e quando eu pedia ficavam sempre mal tiradas, até que eu resolvi começar a tirar selfies. A certa altura a Isabel não sei porque carga de água recusou-se a tirar fotos comigo, mas já quis tirar com a minha irmã, uma situação que me deixou muito triste mesmo, deu me mesmo a sensação que não queria estar comigo.

A questão Isabel não foi muito fácil de gerir, ela precisa mesmo de descansar muito e dorme habitualmente 10 horas por dia. Como estava de férias e queria aproveitar ao máximo até ver a televisão espanhola ficava acordada sempre até mais tarde, no dia seguinte estava sempre mal disposta e nervosa.

Embora com algumas picardias, da minha parte sei que errei em chamar algumas vezes atenção, para os horários, para estarmos junto do grupo, sei que o facto que eu assumir a liderança também não foi muito aceite a minha irmã não ligava muito, mas com a minha amiga era bem diferente. A certa altura tive a necessidade de utilizar o meu péssimo inglês, acho que isso foi o início da picada, ela é professora de inglês, alguém tinha de se desenrascar e eu também tenho o direito de falar inglês.

Mais algumas divergências foram tomando conta de nós. Na terça feira não fomos com o grupo a uma excursão extra e optamos por ir para Barcelona, eu andei a ver cuidadosamente o que poderíamos visitar e o que seria mais fácil, sem nos perdermos a nós e no tempo. Claro que tive em atenção o que a Isabel queria ver, olhando agora para traz ela não pesquisou nada sobre a cidade viu só o que agência de viagens tinha planeado e eu acedi, e assim fizemos quase o mesmo percurso em dois dias. Enfim nesse dia estávamos a ter um passeio muito agradável no parque da Cidadella e tivemos que vir embora para ir visitar a catedral. Foram elas, porque eu fui à Desigual, loja de roupa, que eu dificilmente encontro no Porto, não tinha a mínima vontade de visitar igrejas, nem de andar em espaços fechados, eu gosto é mesmo é de andar na rua ao ar livre. Para acabar mal o dia ainda tivemos aventura de nos perdermos na entrada do metro de regresso ao hotel, por culpa minha e da Isabel que se precipitou na entrada da linha, enfim tudo acabou bem.

Na quarta feira começou logo com o stress de a Isabel não querer tirar fotos comigo e acabou muito mal, quando ela e a minha irmã se perderam na Sagrada Família, quando foram encontradas nem pediram desculpa pelo atraso, nem sequer agradeceram o facto de o grupo ter esperado por elas. Eu até aceito que se tivessem perdido, aceito a questão da Isabel queira aproveitar ao máximo e até a teimosia de querer marcar terreno, tinha toda a razão em bo fazer. Não posso é aceitar e acho completamente intolerável a falta de educação e o não reconhecer que tinham errado.

Na altura chateie-me com elas, sobretudo com a minha irmã. Ao jantar fui me embora mais cedo para o quarto. No dia visitamos Tarragona, eu passei quase o tempo sozinha, claro que a minha irmã e acho que muito bem esteve sempre próximo da Isabel, também não poderia ser de outra forma. Entretanto a guia que tinha sido tão simpática connosco acabou por se afastar um pouco e ser mais reticente aos pedidos que nós lhe fazíamos.

Na quinta à tarde já estávamos mais ou menos, ainda ocorreu o incidente de se ter partido um vidro numa visita às Caves Freixenet. Quando chegamos ao hotel eu e a minha irmã fomos á caixa multinbanco a Isabel ficou no quarto. Eu disse-lhe para ir ter connosco mas ela não foi, dizendo que não nos tinha visto, embora nós estivéssemos mesmo em frente a janela do nosso quarto.

Enfim, no outro dia tínhamos de nos levantar às 3 da manhã para vir embora, acho que estávamos todos muito nervosos e pouco pacientes. Digo com muito sinceridade a Isabel acordou muito nervosa eu tentei ser simpática com ela, não sei se o fui, mas logo notei que quis descarregar os nervos todos em cima de mim e assim foi. Nunca aceitou nada que eu lhe dei, respondeu sempre torta ao que eu lhe ía dizendo, nem que fosse só perguntar se estava tudo bem. Notei que quando estávamos os quatro não falava comigo, aproveitando para falar unicamente quando estava com a minha irmã. Mas tudo isso seria tolerável se depois de almoço, em que eu ajudei escolher a refeição dela, ele não aproveitassem para ir para o autocarro enquanto eu fui à casa de banho. 

Entretanto fartei me de os procurar e eles descansados no autocarro. Claro que tinha de reagir a isto e chateei me bastante, acredito que a minha irmã estivesse distraída com o telemóvel a questão é que eu nem um minuto deixei de cuidar deles os três, acho que não merecia isto mesmo. Viemos o resto da viagem sem falar, depois de uma ligeira discussão, tempo que aproveitei para apagar as fotografias da Isabel, não tinha a intensão de lhas mandar ela também nunca se mostrou disponível para estar comigo.

Só voltamos a falar em Coimbra, disse à minha irmã para passar o fim de semana comigo no Porto, ainda bem que o fiz ela não tinha mesmo dinheiro para ir para Lisboa. A Isabel foi para casa dela e história de amizade com ela fica por aqui, pelo menos da minha parte e penso também que da parte dela.

Eu e os outros, neste caso os meus colegas de trabalho




Ainda ontem regressei de férias e pensava que tudo estava calmo, mais concretamente com duas das pessoas com quem costumo almoçar, a Conceição e a Rita. Pelos visto não, tudo continua igual, ou ainda pior. Cada vez mais penso nisto e acredito, a felicidade ou a paz já é uma coisa intrínseca em cada um de nós. Pelo que vejo não há dinheiro nem sucesso na vida pessoal ou profissional, nem beleza física e até nem a saúde que traga felicidade as pessoas. Contra mim falo, quando estamos embrulhados em confusões é mesmo difícil sair delas, parece que nos focamos de tal forma nas confusões que nos é difícil sair.

A Rita ainda não a vi desde que regressei, achei estranho e perguntei por ela. Segundo me disseram na segunda-feira ficou em casa com uma gastroenterite, teve que levar soro e tudo. Veio trabalhar na terça e na quarta-feira meteu atestado devido ao stress, meu Deus. Na hora de almoço só se falava das confusões no departamento dela, claro que não disse nada, nem iria dizer, mas a Rita também gosta muito disso, Já está génese dela criar empatia com as pessoas (e consegue sempre), quando se farta delas arranja qualquer maneira de as chatear. Ainda faz uma coisa pior, arranja sempre um esquema de mais alguém se chatear com essa pessoa e ela fica sempre bem no filme, ou porque se vitaminiza, ou pela simpatia, ou pela confiança com que fala mal das outras pessoas. É uma pessoa mesmo de muita cusquice, já senti isso na pele, porque dividi casa com ela durante oito anos, confesso que não é uma coisa bonita de se ver nem de descobrir que te estão a lixar. Olhando para esta situação de fora, e com a cura que o tempo sempre acaba por fazer até acho os jogos que a Rita faz com as pessoas cómicos e por outro lado um pouco reconfortantes, é sinal que não sou a única a cair na esparrela, o pessoal que se acha espero e e espevito ainda cai com mais facilidade nas tramoias delas que eu. Sem dúvida surrial.  

Quanto à Conceição, eu nem sei bem o que pensar. É daquelas mulheres lindas, apesar dos seus quase 50 anos, faz inveja a qualquer uma de 30. Tem um casamento de sucesso, uns filhos que adoram, ganha muito bem, tem uma situação económica invejável. Este ano fez duas vezes férias fora do país e está sempre de mal com a vida, sempre nervosa, sempre com minhocas na cabeça.
Hoje foi a primeira vez que a vi depois de férias, pensava eu que quando a encontrasse, ela estaria feliz calma e em paz, nada nem pensar ainda está pior. Muito nervosa, a falar alto, até um pouco descontrolada. Apetecia-me dizer-lhe “olha para ti e para a tua vida e depois critica os outros”. “Quando te conheci eras tão simpática e tranquila e agora estás tão nervosa”. Mas não valia e não vale a pena, ainda iria piorar a situação, acho que ainda agravaria a discussão.

Meu Deus, o que aquela rapariga foi e o que é agora, às tantas sempre foi assim, eu é que nunca reparei ou sempre vi serenidade, beleza, segurança e até muito amor pelos outros. Talvez seja uma fase em que ande mais instável, espero que passe, mas sinceramente acho que já não tenho nenhuma esperança. Acho que as características agradáveis que descrevi dela são o reflexo de como eu olhava para ela, e não são exactamente a realidade, quando somos amigos de alguém temos sempre a tendência e ver os pontos positivos e a camuflar os negativos.

Tal como a Rita, a Conceição é daquelas pessoas que sabe tudo de toda a gente, e cria de tal forma empatia, que toda a gente acaba por lhe contar tudo e mais alguma coisa. Mas em vez de ficar calada, ouve aqui conta ali. Sabe exatamente o que é melhor para a vida dos outros e o caminho que devem seguir, só não sabe é da vida dela, ou quando tem problemas não os consegue resolver, fica em pânico.

Hoje reparei quando fomos tomar café ela não se sentou na nossa mesa como habitual, mas sim numa mesa onde estavam algumas colegas que também estão sempre envolvidas em confusão. A Elisabete é daquelas pessoas muito instáveis tanto está bem como mal. A Cármen que ninguém gosta dela e mete sempre o nariz onde não é chamada e a Paula que está sempre passada da cabeça.

Agora que estou a escrever sobre isto verifico que as pessoas com o mesmo perfil se juntam sempre. Noutra mesa fiquei eu a Marisa e a Alice. Não é que eu seja uma santa nem pouco mais ou menos, mas elas as duas estão sempre de bem com a vida. Pelo menos a Alice, que está sempre na maior e é a melhor em tudo.

Sinceramente não me apetece muito estar com a Conceição, mas vou estando presa à imensa vontade de sair do meu local de trabalho para almoçar, e de não perder contactos. Sei que me tenho de concentrar em procurar alternativas a esta situação pois não é nada saudável para mim.