Já escrevi este texto há alguns dias, agora até me parece estranho, já não
faz muito sentido, até porque as férias já são uma coisa muito longínqua, de
qualquer forma vou o partilhar, porque faz parte da minha história de vida.
Este blogue também, e vai –me relembrando que a escrita cura muitos males da
alma e o tempo também.
Não me lembro de ter tido férias tão más como as de este ano, parece que
nem tive férias.
Todos os anos durante as férias faço planos para os anos seguintes, este
ano nem sequer penso nisso. Ainda não escolhi o que quero fazer para actividade
extra trabalho, estou sem motivação para nada. Gostava de aprender a dançar,
mas gostava de ter mais uma experiência com o teatro, que por acaso coincide
com o dia do voluntariado à quinta feira. Não sei, só sei que não descansei nem
planei o meu ano como queria. Se calhar nem deveria planear até pela situação
de saúde da minha irmã e pela idade avançada da minha mãe. Ou como comentei com
uma colega minha este ano irá ser o ano de me conhecer melhor.
Mas falando das férias, planei umas férias ao pormenor, uma viagem a
Barcelona, para mim, meu sobrinho, minha irmã e uma amiga, que nunca fez férias
fora de casa nem nunca tinha saído de Portugal.
Tudo correu mal desde o início e eu não tive a lucidez para desistir. A
primeira coisa errada que fiz foi convidar a minha colega /amigam, nem sei como
fiz isso até porque já tinha tido algumas divergências com ela, mas o meu
instinto de amiga falou mais alto e lá a convidei.
Outra coisa incorrecta que fiz foi pagar a viagem a minha irmã e sobrinho,
ela nunca teria dinheiro para pagar esta viagem, mas também nunca me disse que
não queria ir. Em julho percebi que ela não queria de facto ir, pois teve
dinheiro para pagar umas férias para ela e para o seu filho no Luso e para
fazer dois ou três dias de férias em Vila Real, com uma pessoa que tinha
conhecido no Luso. Percebi nesta altura que andava a mendigar atenção da minha
irmã ao pagar-lhe uma viagem, no fundo eu é que queria companhia, ela não
estava minimamente interessada na viagem.
A ida dela para Vila Real, foi para mim uma decepção ainda agora me custa
acreditar que ela fez isso, mas de facto fez. Supostamente viria passar uma
semana comigo e com a nossa mãe a minha casa, depois do tempo passado no Luso.
Entretanto como estava como uma infecção urinária foi ao médico e depois de
fazer exames descobriu que estava com o problema de saúde, um tumor num peito.
Nesse dia viemos os três, eu, ela e o Samuel da Clínica, já por volta das três
horas. Quando chegamos a casa a minha mãe estava deitada na cama sem almoçar.
Decidimos almoçar a uma pizaria, no caminho a minha irmã revolveu que se iria
para Vila Real ainda nessa tarde. Ainda me perguntou o que eu achava disso, ao
que eu respondi, que ela deveria seguir o coração. E ela foi, seguiu o que o
coração lhe disse, ainda a fui levar ao autocarro. De duas uma, da minha parte,
ou sinto muito amor por ela ou sou muito burra, ou uma mistura das duas coisas,
sei lá. Sei que fiquei de rastos, fiquei eu e a minha mãe sozinhas, para
variar. Claro que a minha irmã é livre para fazer o que quiser, eu preocupada
com a situação dela e da minha mãe e ela a divertir-se, é resiliência a mais da
minha parte. Senti e sinto que lhe dou muito mais que recebo dela, por vezes
sinto que ela não gosta assim tanto de mim, ou gosta, mas vai se estando a
borrifar para mim em determinadas situações. Talvez eu espere muito mais dela
do que ela me pode ou quer dar, não sei, talvez seja uma questão de gestão de
espectativas e nesta situação eu faço uma gestão muito má. Vou tento cada vez
mais a certeza que o meu caminho é mesmo sozinha, com a minha irmã não poderei
contar, nem deverei ligar cada vez que tenho um problema, é preferível
escrever. Se bem que ela quando tem problemas também me liga, e por vezes liga
bem nervosa.
Mas é das férias que quero continuar a falar. Deveria ter desistido logo
que a minha irmã soube do problema de saúde dela, até porque isso atrapalhou a
realização de alguns exames, mas a Isabel já tinha pago a viagem dela e não
podemos voltar atrás, ela estava mesmo decidida a ir e tinha razão, criou uma
guerra com a família para conseguir fazer esta viagem. E venceu-a.
A viagem correu bem, apesar do azar fomos tendo alguma sorte. Falo de azar porque
fiz a reserva da viagem pela net e o agente enganou-nos. Apesar disso a guia
que nos acompanhou conseguiu mais ou menos resolver o problema. Mas poderia ter
corrido mal, mesmo muito mal. Mas isto foi um problema menor.
O que tornou a situação mais complicado foi o grupo, nunca funcionou como
grupo, andamos sempre separados. Eu tomei a iniciativa de começar a tirar
fotos, conclusão eu não fiquei em nenhuma, porque nem a minha irmã nem a Isabel
se ofereciam para me tirar e quando eu pedia ficavam sempre mal tiradas, até
que eu resolvi começar a tirar selfies. A certa altura a Isabel não sei porque
carga de água recusou-se a tirar fotos comigo, mas já quis tirar com a minha
irmã, uma situação que me deixou muito triste mesmo, deu me mesmo a sensação
que não queria estar comigo.
A questão Isabel não foi muito fácil de gerir, ela precisa mesmo de
descansar muito e dorme habitualmente 10 horas por dia. Como estava de férias e
queria aproveitar ao máximo até ver a televisão espanhola ficava acordada
sempre até mais tarde, no dia seguinte estava sempre mal disposta e nervosa.
Embora com algumas picardias, da minha parte sei que errei em chamar
algumas vezes atenção, para os horários, para estarmos junto do grupo, sei que
o facto que eu assumir a liderança também não foi muito aceite a minha irmã não
ligava muito, mas com a minha amiga era bem diferente. A certa altura tive a
necessidade de utilizar o meu péssimo inglês, acho que isso foi o início da picada,
ela é professora de inglês, alguém tinha de se desenrascar e eu também tenho o
direito de falar inglês.
Mais algumas divergências foram tomando conta de nós. Na terça feira não
fomos com o grupo a uma excursão extra e optamos por ir para Barcelona, eu
andei a ver cuidadosamente o que poderíamos visitar e o que seria mais fácil,
sem nos perdermos a nós e no tempo. Claro que tive em atenção o que a Isabel
queria ver, olhando agora para traz ela não pesquisou nada sobre a cidade viu
só o que agência de viagens tinha planeado e eu acedi, e assim fizemos quase o
mesmo percurso em dois dias. Enfim nesse dia estávamos a ter um passeio muito
agradável no parque da Cidadella e tivemos que vir embora para ir visitar a
catedral. Foram elas, porque eu fui à Desigual, loja de roupa, que eu
dificilmente encontro no Porto, não tinha a mínima vontade de visitar igrejas,
nem de andar em espaços fechados, eu gosto é mesmo é de andar na rua ao ar
livre. Para acabar mal o dia ainda tivemos aventura de nos perdermos na entrada
do metro de regresso ao hotel, por culpa minha e da Isabel que se precipitou na
entrada da linha, enfim tudo acabou bem.
Na quarta feira começou logo com o stress de a Isabel não querer tirar
fotos comigo e acabou muito mal, quando ela e a minha irmã se perderam na
Sagrada Família, quando foram encontradas nem pediram desculpa pelo atraso, nem
sequer agradeceram o facto de o grupo ter esperado por elas. Eu até aceito que
se tivessem perdido, aceito a questão da Isabel queira aproveitar ao máximo e
até a teimosia de querer marcar terreno, tinha toda a razão em bo fazer. Não
posso é aceitar e acho completamente intolerável a falta de educação e o não reconhecer
que tinham errado.
Na altura chateie-me com elas, sobretudo com a minha irmã. Ao jantar fui me
embora mais cedo para o quarto. No dia visitamos Tarragona, eu passei quase o
tempo sozinha, claro que a minha irmã e acho que muito bem esteve sempre
próximo da Isabel, também não poderia ser de outra forma. Entretanto a guia que
tinha sido tão simpática connosco acabou por se afastar um pouco e ser mais
reticente aos pedidos que nós lhe fazíamos.
Na quinta à tarde já estávamos mais ou menos, ainda ocorreu o incidente de
se ter partido um vidro numa visita às Caves Freixenet. Quando chegamos ao
hotel eu e a minha irmã fomos á caixa multinbanco a Isabel ficou no quarto. Eu
disse-lhe para ir ter connosco mas ela não foi, dizendo que não nos tinha
visto, embora nós estivéssemos mesmo em frente a janela do nosso quarto.
Enfim, no outro dia tínhamos de nos levantar às 3 da manhã para vir embora,
acho que estávamos todos muito nervosos e pouco pacientes. Digo com muito
sinceridade a Isabel acordou muito nervosa eu tentei ser simpática com ela, não
sei se o fui, mas logo notei que quis descarregar os nervos todos em cima de
mim e assim foi. Nunca aceitou nada que eu lhe dei, respondeu sempre torta ao
que eu lhe ía dizendo, nem que fosse só perguntar se estava tudo bem. Notei que
quando estávamos os quatro não falava comigo, aproveitando para falar
unicamente quando estava com a minha irmã. Mas tudo isso seria tolerável se
depois de almoço, em que eu ajudei escolher a refeição dela, ele não aproveitassem
para ir para o autocarro enquanto eu fui à casa de banho.
Entretanto fartei me
de os procurar e eles descansados no autocarro. Claro que tinha de reagir a isto
e chateei me bastante, acredito que a minha irmã estivesse distraída com o
telemóvel a questão é que eu nem um minuto deixei de cuidar deles os três, acho
que não merecia isto mesmo. Viemos o resto da viagem sem falar, depois de uma
ligeira discussão, tempo que aproveitei para apagar as fotografias da Isabel,
não tinha a intensão de lhas mandar ela também nunca se mostrou disponível para
estar comigo.
Só voltamos a falar em Coimbra, disse à minha irmã para passar o fim de
semana comigo no Porto, ainda bem que o fiz ela não tinha mesmo dinheiro para
ir para Lisboa. A Isabel foi para casa dela e história de amizade com ela fica
por aqui, pelo menos da minha parte e penso também que da parte dela.
