terça-feira, 25 de outubro de 2016

Fazer Rir e Fazer Chorar



Give it time and wonder why
do what we can laugh an we cry and
we sleep in your dust because we've seen this all before.
Culture fades with tears and grace
leaving us stunned hollow with shame
we have seen this all, seen this all before.
Many tribes of a modern kind,
doing brand new work,
same spirit by side,
joining hearts and hand and ancestral twine, ancestral twine.
Many tribes of a modern kind,
doing brand new work, same spirit by side,
joining hearts and hand and ancestral twine, ancestral twine.
Slowly it fades. Slowly we fade
Spirit bird she creaks and groans
she knows she has, seen this all before she has, seen this all before.
Spirit bird she creaks and groans she knows she has,
seen this all before she has, seen this all before.
Slowly it fades. Slowly you fade
Soldier on soldier on my good country man
Keep fighting for your culture,
now keep fighting for your land
I know its been thousands of years and
i feel your hurt and i know its wrong and
you feel youve been chained and broken and burned
and those beautiful old people
those wise old souls have been ground down
for far too long by that spineless
man that greedy man that hearless
man deceiving man government hand taking blood
and land taking blood and land and still
they can but your dreaming and your
warrior spirit lives on and it is so so so strong
in the earth in the trees in the rocks in the water
in your blood and in the air we breath
Soldier on soldier on my good country man,
keep fighting for your children now keep fighting for your land
Slowly it fades slowly we fade slowly you fade slowly it fades
Give it time and we wonder why do what we can laugh
and we cry and we sleep in your dust because we've seen it all before


Hoje não sei porque este texto fez sentido na minha vida. Não sou nada virada para a meditação, nada mesmo fico bastante deprimida e acho que não me leva a lado nenhum, não tem um propósito que me leve alcançar qualquer objectivo que eu possa ter. Mas é uma das terapias da moda, muita gente usa para ficar mais calma, para relaxar, como modo de parar para pensar na vida, ou simplesmente porque acredita no valor da meditação em si.

Para mim a meditação, e coisas do género são meros substitutos de religião, e eu já tenho uma, embora seja pouco praticante e muito pouco crente.


Gosto de coisas simples, e práticas e visíveis, qualquer coisa que seja tangível e que eu possa ver ou pegar. Por isso nos meus hobbies estão coisas como o ginásio, o voluntariado, a dança ou o teatro, ou até escrever ou pintar.

Talvez seja por causa do teatro que tenha reparado neste vídeo tão melancólico. Na aula de ontem estivemos a fazer um exercício para fazer ou chorar. Bem que coisa mais difícil, é muito difícil fazer rir alguém, e rir sem vontade. Mas chorar ainda é pior bem, ficar triste sem vontade é muito mau mesmo. Mostrar triste quando se está mesmo triste e não se quer mostrar é mesmo duro. Foi o caso de ontem, em que tive de mostrar que chorava, quando me apetecia chorar, e não queria que ninguém soubesse que estava triste. Bloquei o que sentia e o meu exercício ficou completamente perdido, claro que continuei a fingir que chorava e a professora bloqueou o exercício, porque de facto não estava a resultar.

No final a professora chamou-nos atenção para o facto de utilizarmos os nossos próprios sentimentos para representar, ou então sempre podemos representar desprovidos de sentimentos.

Ontem senti que se começasse a chorar, não conseguiria parar, estava demasiado triste, a minha irmã soube que aí ser operada e iria tirar um peito, e isto não está a ser fácil de lidar. Talvez não tenha sido coincidência o exercício que fizemos, pelo menos serviu para me chamar atenção para minha fragilidade e para o facto de não conseguir conter aquilo que sinto. Não é fácil ser actor pelo menos quando estamos perante sentimentos estremos, e não fácil deixar o que sentimos cá fora, ou separar os sentimentos. Temos de enfiar uma carapuça e fingir que está tudo bem, mesmo que não esteja, ou demonstrar que as coisas estão mal, quando estão mesmo, mas não se pode perder o autocontrole.

Eu sei que ontem a aula de teatro não correu nada bem, também sei que não tenho muito jeito para o teatro, mas sei que estou a iniciar um grande caminho e sei que estou e vou aprender mesmo muito.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sobre o significado da Gratidão





Não poderia deixar este assunto passar ao lado, numa noite tão especial, marcada pela gratidão.


Eu estou grata por te conhecer, Sofia, já aprendi muito contigo, já partilhei uma missão contigo, gostava de te ter mais próxima, mas tu não és uma pessoa muito reservada e o teu companheiro com quem eu me dava muito bem está com uma grave depressão e quase não fala. Mas estou grata pelas coisas boas que me fazes sentir quando estamos juntas no voluntariado.


Foi o caso deste fim de semana em que se fez o balanço de mais um ano. Escolheram te a ti e à Mariana (não a conheço muito bem) para fazer um boa noite. Não poderiam ter feito melhor escolha, gosto sempre do que tu fazes e desta vez não foi excepção.


O tema que escolheram foi o Significado da gratidão, onde tu, sofia lês isto:

“Tratado sobre Gratidão de São Tomás de Aquino. Esse Tratado tem três níveis de gratidão: um nível superficial, um nível intermédio e um nível mais profundo.

O nível superficial é o nível do reconhecimento, do reconhecimento intelectual, do nível cerebral, do nível cognitivo do reconhecimento. O segundo nível é o nível do agradecimento, do dar graças a alguém por aquilo que esse alguém fez por nós. E o terceiro nível mais profundo do agradecimento é o nível do vínculo, é o nível do sentirmos vinculados e comprometidos com essas pessoas.


E de repente descobri uma coisa na qual eu nunca tinha pensado, que em inglês ou em alemão se agradece no nível mais superficial da gratidão. Quando se diz "thank you" ou quando se diz "zu danken" estamos a agradecer no plano intelectual.

Que na maior parte das outras línguas europeias, quando se agradece, agradece-se no nível intermediário da gratidão. Quando se diz "merci" em francês, quer dizer dar uma mercê, dar uma graça. Eu dou-lhe uma mercê, estou-lhe grato, dou-lhe uma mercê por aquilo que me trouxe, por aquilo que me deu. Ou "gracias" em espanhol, ou "grazie" em italiano. Dou-lhe uma graça por aquilo que me deu e é nesse sentido que eu lhe agradeço, é nesse sentido que eu lhe estou grato.


E que só em português, que eu saiba, é que se agradece com o terceiro nível, o terceiro nível, o nível mais profundo do tratado da gratidão. Nós dizemos "obrigado". E obrigado quer dizer isso mesmo. Fico-vos obrigado. Fico obrigado perante vós. Fico vinculado perante vós. Fico-vos comprometido a um diálogo. É esse diálogo, enfim, que quero e é nesse preciso sentido que eu lhes digo: MUITO OBRIGADO".

Por fim eu digo, muito obrigada Sofia e Mariana pelo boa noite.


Muito Obrigada G.A.S. Porto, pelas imensas oportunidades que dás, pela formação e oportunidade de crescimento que proporcionas a quem sabe ou quer aproveitar, pelas pessoas que tive oportunidade de conhecer, pelas pessoas a quem sirvo e me vão ensinado tanto, pela caminhada deste ano a Santiago e pela Missão que já fiz em Seia, na Casa de Santa Isabel.

Lamento imenso desta vez não estar tão feliz como é habitual nas reuniões do G.A.S. a vida pessoal acaba sempre por nos afectar muito, e desta vez não consegui sentir o amor e a paz que sinto habitualmente. Mesmo assim estou grata, ou meu fim de semana não seria tão bom se não passa-se por esta experiência. E como diz um dos responsáveis máximos do grupo “Eu seria feliz se não estivesse aqui, mas como estou sou muito mais feliz”. Ou  qualquer coisa parecida com esta.


A noite de sexta feira terminou em beleza, sem dúvida num cenário muito bonito, Obrigada Sofia e Mariana, e colegas do voluntariado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

No dia em que te perdi!!!



No dia em que me apercebi que te tinha perdido, não foi agradável e preencheu os meus pensamentos por muitos dias, mesmo muitos. No fundo acho que nunca te perdi, por nunca te tive, na vida ninguém pertence a ninguém, nem os filhos pertencem os pais, nem sequer as mães, apesar de todos termos tido uma relação de um só durante 9 meses. Nem os irmãos pertencem uns aos outros, já para não falar das relações conjugais, muito menos de amigos.


Tenho a plena consciência que as amizades não são eternas, poucas são as pessoas que mantêm amigos para toda a vida. Eu de certeza que não sou uma dessas pessoas. Mas como diz o meu irmão: “Os amigos são como as contas bancárias, por vezes temos um saldo elevado, outras vezes está a zero e outras até está negativo, estando negativo não quer dizer que não volte a estar positivo depende dos caso”. No meu caso tenho verificado que quando o saldo está a zero ou negativo, as contas acabam-se sempre por encerrar, na maior parte das vezes são os outros a encerra-las, raramente tenho a lucidez de ver que elas estão em tão más condições.


Foi o que aconteceu com a Susana, que era minha amiga desde o tempo da faculdade. Há cerca de 
um ano num dos telefonemas que fiz ela disse-me qualquer coisa deste género “Ainda bem que ligas, e que pensas imensas vezes em mim, assim mantemos a nossa amizade, se não fosses tu a ligar”, ao que eu respondi “Eu entendo isso, tens duas filhas pequenas, muito trabalho, uma família grande e imensos amigos. Eu não tenho nada disso por isso tenho mais disponibilidade para ligar”.


E continuei a ligar vezes sem conta, umas vezes a Susana atendia e outras não. Mas eu liguei sempre pois já conheço a Susana desde a Faculdade e sempre foi para mim uma pessoa muito querida, como é sempre para toda a gente. A Susana é uma daquelas pessoas que encanta logo no primeiro contacto e ao contrário da maior parte das pessoas ainda fica mais encantadora quando se conhece melhor. Por isso tem sempre muita gente à volta dela, e talvez seja por isso que já não tenha espaço para mim, ou ande tão atarefada ou cansada que não tem tempo para todos os que a rodeiam ou querem rodear, ou então não está para se chatear e o mais certo é falta também de amizade e em relação a isso não há literalmente nada que se possa fazer.


Apercebi que a Susana mudou muito quando teve a primeira filha a Leonor há quatro anos. A rapariga loura de olhos verdes que transpirava calma e confiança, tornou-se numa mulher muito nervosa e insegura, mas sobretudo muito impaciente. Desde logo me apercebi que não queria que lhe tocasse na criança, devia ser por causa da sua insegurança, talvez tivesse medo que eu a deixasse cair ou magoar, não sei bem. Quando esse tipo de situações acontecia eu ficava sempre triste, até chegar ao ponto de não ligar nenhuma para as filhas dela. Há tempos estivemos num piquenique, onde estava a Susana Vieira que tem um bebé chamado João. Ainda não conhecia o João a minha tendência foi pegar-lhe ao colo, ele é tão giro. Passado um pouco veio o comentário da Susana, porque tens o João ao colo era melhor coloca-lo no carrinho. Ao que eu respondi: “ deixa estar comigo que está mais aconchegado, para além disso eu ainda não o conhecia”. Mas eu sei porque a Susana reagiu assim, sempre teve esta reacção em relação as filhas dela.


Não me quero lamentar, só falar sobre este assunto: “Eu não consigo manter relações de amizade por muito tempo, nem crio empatia com as pessoas com muita facilidade”. Talvez isto aconteça com muita gente, só que normalmente as pessoas não falam das coisas negativas, não falam das chatices que têm, das merdas que fazem aos outros e dos amigos que perdem. Toda a gente quer exibir o sucesso e felicidade.


Já há muito que percebi que tenho de fazer o mesmo, não posso expor as minhas fragilidades, porque as pessoas ainda me deitam mais abaixo. Tenho mesmo de me proteger.


Talvez esteja a passar por uma fase difícil nos relacionamentos, provavelmente por causa da minha impaciência e também do individualismo que vou ganhando, fruto de viver sozinha, não sei. Nos últimos tempos muitas pessoas foram ficando para traz, as amigas do secundário, a Isabel que acabamos por nos chatear depois de umas férias passadas juntas. E agora a Susana.


Telefonei, já telefonei várias vezes, nunca tive resposta, a minha suspeita de afastamento começou uma vez que falei com a Ana e eu disse: “Liguei à Susana mas não me atendeu nem me voltou a ligar” e a Ana que é sempre bastante assertiva disse “A não! Não sabia” sorriu e ficou um pouco calada. Olhando para trás deveria ter estado mais atenta aos sinais, porque a Susana sempre convidou para aniversários dela e das filhas, combinava piqueniques e saídas à noite, deixou de fazer isso tudo. Embora eu saiba que ela faz isso com outros amigos.


Curioso que antes quando me apercebia que perdia alguém ficava muito triste, agora já me é um pouco indiferente, vou ganhando calo, ou a vida foi me ensinando a não sofrer pelos outros, ou sofro à mesma, mas tem passado mais rápido. Não vou dizer que não fico triste pela perda da Susana a questão é que não posso andar sempre atrás dos outros, se ela não quer estar comigo, não há mesmo nada que posso fazer, talvez até haja mas eu não sei o quê. Não sei mesmo o que posso fazer ou mudar em mim. Sei que nos últimos tempos tenho criado alguns conflitos com algumas pessoas e outras não sei porquê têm se afastado de mim. Talvez seja a ordem natural das coisas, pois há medida que os anos passam vamos reduzindo as pessoas com quem mantemos contacto, nem sei, não sei mesmo nada. Este tem que ser um caminho de autodescoberta de aprender a criar empatia com as pessoas e depois não as deixar fugir.


Estamos no inicio de um novo ano, vou começar a ter aulas de teatro numa escola nova, vou diferentes aulas no ginásio, e entrarão novas pessoas no meu grupo de voluntariado, vou ver o que o futuro me reserva, e as pessoas que me vão aparecer pelo caminho.