segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Acho que te estás a meter numa grande alhada.



Acho que te estás a meter numa grande alhada, mas espero bem que me engane e que tu sejas feliz. 

Sem que se espera-se já estás a morar junta com o Carlos, uma pessoa que conheceste no verão, durante o campeonato nacional de Xadrez, em que o Samuel participou.  

Nessa altura como estavas sozinha, procuraste alguém, afinal deverias aproveitar os 200 euros que pagaste pela estadia no Luso durante o campeonato. E tu  procuraste mesmo alguém, és especialista em meter conversa e criar empatia com estranhos e dessa vez não foi excepção. A pessoa que encontras te foi o Carlos. Depois do campeonato acabar vieste para minha casa com o objectivo de me ajudar com a mãe. Qual ajuda, foste foi passear com ele para Vila Real e os outros que se aguentem, mas já falei nisso. 

Quando as férias acabaram cada um de vocês foi para seu lado, penso que pouco falavam, a não ser trocar umas mensagens. Mas essa fase também foi difícil para ti, passas te um mau bocado, fui te detectado um cancro na mama e foste operada em novembro. Esta situação, como era de esperar deixou te muito frágil, sobretudo emocionalmente. O Carlos apareceu de novo no momento exato, veio dos Açores para o Continente fazer um curso de treinadores de Xadrez, claro que ficou em tua casa, na altura em que estava em recuperação. Em menos de um mês soube pelo facebook, não por ti, que tinham uma relação. Já me tinhas dito que ele vinha passar uns tempos a tua casa. Passado um tempo falamos outra vez no assunto  e eu questionei te se iriam viver juntos para sempre, tu a medo respondeste que sim.  

Falamos ainda da publicação do facebook que o Carlos colocou e só te avisou depois, tal como tu já sabias, mas voltei a dizer que não gosto de indirectas, nem de notícias pelo facebook, mas continuas a fazê-lo dessa forma, eu tenho é de aceitar. Preferias que me tivesses dito porque somos irmãs e amigas, mas já sei que nunca o vais fazer, faz parte do teu ser. 

Na quinta feira, quando estavas no trabalho e antes do Carlos chegar a tua casa ligas te me, parecias muito apreensiva e eu notei isso. Falei te dos meus receios e tu dos teus, afinal eram muito parecidos. 

Disse te que ele se estava aproveitar e a colar-se a ti, que achava que ele era muito agressivo com o Samuel e que não simpatizava nada com ele. 

Disse-te que me parecia que ele não gostava de ti, queria era resolver a vida dele, ter casa, comida e roupa lavada. Nos açores vivia num quarto pago pela segurança social. 

Disse te que me parecia que ele não te amava, mas pelo menos que te tratasse bem e te respeitasse. Que aí poderia estar a solução para as teus conflitos com os Luíses, o teu ex-marido que passado 7 anos após o divorcio ainda não parou de te chatear, e também com o teu vizinho, os dois com o mesmo nome. 

Disse te que o mais importante era que tu e o Samuel se sentissem bem, mesmo que o Carlos não te amo, se tu o amares já é uma coisa mesmo muito boa. 

Também fui tolerante ao ponto de te dizer que o dinheiro não era importante, o mais importante era tu estares feliz, mesmo que tenhas de recorrer outra vez ao banco alimentar, quando pensavas que já tinhas deixado isso para trás uma vez que tiveste um significativo aumento salarial este ano.

Fiquei a saber que ele vivia do rendimento mínimo e não trabalhava.

Fiquei a saber que ele não trabalhava, vivia de biscates num restaurante e artigos sobre xadrez escritos para o jornal.

Fiquei a saber que ias comprar computador e internet só por causa dele. Não me esqueci de te avisar que isso iria criar muitos conflitos com o Samuel. Tu nunca quiseste net em casa, para não criares vícios ao teu filho, afinal….
Fiquei ainda a saber que ele se impôs por morar em tua casa, tu não querias, mas não tiveste a coragem de dizer que não. Ainda te sugeri que ele fosse viver para casa da madrinha ou de um primo e depois vocês iriam ver no que dava com o tempo, mas já estava tudo decido, e também as pessoas não aceitam outras em casa de ânimo leve. 

Fiquei a saber que as tuas vizinhas têm a mesma opinião que eu, e que a tua chefe te apoiou, ao que te respondi que ela não tinha nenhuma ligação emocional contigo. 

Fiquei contente por saber que estás a falar de todos estes assuntos com o Samuel e que queres que ele se sinta bem. 

Fico triste por saber que estás insegura e não estás muito certa do passo que deste. 

Fico triste porque acho que ele de uma forma dissimulada te quer afastar da família, ou tu te queres afastar, não sei. Ele pensa em ter alguém que lhe faça companhia e tu deixas te levar. Vou te dar o espaço que tu precisas e mereces ter, volta quando quiseres. Certa que cada vez que te afastas e voltas vão ficando algumas feridas, mas vou te recebendo sempre de braços abertos. 

Fico triste porque não tens a disponibilidade para mim que eu tenho para ti, quando estás bem nunca me ligas, mas te acontece qualquer coisa ligas logo. Nunca te consegui negar a ajuda, embora me provoque cada vez mais sofrimento ouvir-te, mas faço o sempre até porque esse é o principio do voluntariado e se faço isso aos outros também terei de o fazer a ti. Ouvir e não te dizer nada, só ouvir é também isso que vou fazendo com o meus utentes do voluntariado.  

Embora não acredite nisso espero que sejas feliz com o Carlos, embora saiba que no vamos afastar um bocado, se fosse ao contrário isso talvez também acontecesse e tu também irias ficar triste. Não senti esse afastamento quando começas te a namorar com o Luís, talvez porque não estávamos tão próximas, ainda não tínhamos telefone. Mas no verão quando o Carlos te convidou para ires passar uns dias com ele, foste sem dar cavaco a ninguém. Em novembro quando foste operada, eu estava em tua casa, mal chegou o Carlos tive logo de me vir embora, mesmo tu sabendo que eu iria chegar a casa por volta das 2 da manhã, nem sequer pensaste nisso, talvez os ciúmes não tenham deixado. Mas já escrevi sobre isso tudo. 

Hoje na conversa habitual durante o trabalho através do chat, falamos em nos encontrarmos, claro que me disseste que não poderia ir a tua casa. Como sempre ofereceste para vir a minha, estás sempre disposta a vir desde que te convide. Claro que és bem-vinda, mas não pode ser sempre, porque tu passeais e eu fico em casa, algumas vezes podes vir, outras teremos que nos encontrar noutro sitio, nem que seja só um dia. Porque se for para estar em casa, vou para Lamego, sempre mudo de ares. Também me disseste se combinássemos em algum sitio que pagaríamos a meias, mas eu sei que não vais ter dinheiro, disse te que terias de ser tu a tomar a iniciativa, porque eu não o farei. Mas tal com te disse no chat, vamos indo e vamos vendo, até porque o Samuel tem sempre provas e isso é o mais importante, mas eu não estou para me sujeitar sempre as tuas vontades. 

E que mais, que só quero que sejas feliz, o resto resolve-se.