Mesmo muito trabalho que tenho
pela frente, e nem é para me tornar melhor pessoa mas sim para sofrer menos e
esconder um pouco mais as minhas fragilidades.
Acabou a “habitual caminhada a
Santiago de Compostela”, correu bem, correu mesmo muito bem. Este ano consegui
carregar a mochila o caminho todo sem aliviar peso, não fiquei enjoada, não
fiquei deprimida nem triste, consegui reflectir na medida certa, ou seja sem me
deixar ir a baixo. Mas trouxe uma grande carga de trabalho de casa, que me
ocupará o tempo para o resto do ano ou sei lá para o resto da minha vida. Vamos
por partes de algumas coisas eu já tinha plena consciência, como:
Aceitar-
aceitar como sou, aceitar a minha falta de autoconfiança, complexo de
inferioridade e o achar que ninguém gosta de mim. Eu sei que se passa comigo,
eu nunca sou o centro das atenções, nem a pessoa preferida, vou sempre ficando
para traz, muitas vezes devido á minha timidez, outras vezes devido às minhas condições
físicas e económicas, porque esta parte pesa muito, sobretudo quando é para
convidar alguém para sair à noite ou para jantar, ou fazer aquela viagem.
Outro factor que pode influenciar
também é a minha maneira de ser tão séria, só falo de assuntos sérios e
pesados, nunca tenho conversas descontraídas ou sem interesse nenhum, mas isto
também tenho de aceitar e reverter para uma qualidade desde que consiga um equilíbrio
entre assuntos sérios e mais brandos.
Outra coisa que tenho de corrigir
é as perguntas que faço, não me importa o que os outros fazem ou deixam de
fazer ou para onde ou com quem vão. O importante sou eu e a outra pessoa, o
resto é o nosso exterior.
Aceitar
os ciúmes, sim toda a gente diz que são ciúmes, na minha análise eu só quero um
pouco de atenção, mas se for ciumes, que seja, não há mal nenhum nisso. No
fundo eu só quero ter mais ou menos o que os outros têm, até pode ser menos,
mas que seja qualquer coisa, ter amigos, estar integradas nos grupos, ser
convidada para tomar café, e o mais importante ser estimada e respeitada. Eu
sei que o eu preciso de miminho, muitas vezes, eu sei que é isso que me falta para
ter mais autoconfiança, mas neste campo, tenho que dar muitas vezes sem receber
nada em troca, mas não há mal nenhum nisso, mas eu também preciso que cuidem de
mim, ou que se lembrem de mim.
Aceitar
os medos, medo de não conseguir, de deixar de fazer muita coisa por pensar que
não vou conseguir. Quase numa das últimas reflexões da caminhada foi falado que
“Num inquérito em que se perguntou a pessoas que estavam próximas da morte, do
que elas se arrependiam mais, as respostas foram basicamente deste género –
arrependo –me de não ter feito, arrependo –me de não ter estado mais com os
amigos e família. Quase ninguém se arrependeu de coisas que tinham feito.
É nisto que tenho de pensar,
fazer as coisas conscientemente sem ter medo, medo de falhar ou de ser criticada.
Aceitar
que há pessoas que não gostam de mim, não gostam mesmo, viver bem com isso, ok,
se não gosta de mim ou não quer conviver comigo, tudo bem eu aceito isso. Mas
não vou deixar de estar com as pessoas que gosto por causa de A, B. ou C, a não
ser que me sinta mesmo indesejada por toda a gente. Também acho que não devo
deixar de fazer as coisas que gosto porque alguém ou alguma coisa me causa
incomodo.
Estar
mais atenta a quem me valoriza e a quem me vai dando atenção. Estar mais atenta
às reacções das pessoas para não cometer os mesmo erros.
Aceitar
que sou tímida e reservada, e que muitas vezes estou com as pessoas e não sei
bem o que dizer, o silencia deixa me constrangida.
Aceitar
melhor as mentiras, ou seja não me deixar afectar por elas, nem me andar a
chatear com alguns equívocos, ou com o disse que disse.
Ser
mais simpática e meiga comigo, sim porque eu tenho muitas qualidades, tenho que
viver, aceitar e melhorar os defeitos, mas eu tenho que valorizar e não me
fazer de coitadinha, nem me valer do meu problema de visão para conseguir
algumas coisas, ou para que as pessoas tenham pena de mim, esse é o pior
sentimento que se pode ter. Eu sei já tive muitas vitórias na vida, tenho mesmo
é que trabalhar, mesmo que trabalhe muito mais que os outros eu tenho de
conseguir. Sei que ainda me faltam muitas mais vitórias para festejar, porque a
vida é mesmo para festejar.


