quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sobre as oportunidades


Sim, hoje falo de oportunidades, já há muito tempo que não falava de nada, também não tive nada de muito significativo para falar.

Mas hoje falo da oportunidade que tive em fazer um programa de Erasmus para pessoal técnico em Espanha, neste caso em Valência.

Eu sei que para o mais comum dos mortais isto não é nada, nem é nada de transcendente, mas para mim é, e por vários motivos:

- Foi a primeira vez que viajei sozinha, estava com muito medo de não conseguir apanhar um avião sozinha, das outras vezes que fiz viagens, fui sempre com amigos e eles acabavam por fazer o trabalho todo. Desta vez fiz esse trabalho sozinha, e correu bem, também precisava de provar a mim própria que consigo.

- Pensei que me iria perder demasiadas vezes em Valência, até para encontrar um hostel iria ser um grande filme, mas não, encontrei rápido, nunca me perdi ao ir para a universidade. Acho que me perdi uma vez na linha de metro por andar distraída. Imagine que em Portugal tenho sempre medo de ir ter com colegas a locais desconhecidos, por medo de não os ver ou não encontrar o local. Em Valência fui duas vezes à noite ter com eles e correu td bem.

Fiquei pela primeira vez a dormir no hostel, com muito receio meu, fiz uma reserva num quarto de 4 pessoas. Não posso dizer que foi maravilhoso, mas não correu mal. Na primeira noite fiquei com 3 homens, sem stress, um deles até era simpático e como tinham os 3 mais idade quando chegou a 11 horas já estavam a dormir.

Na segunda noite fiquei só com um homem, confesso que tive imenso medo, até porque ele andava sempre de boxers e ressonava muito, mas foi –se embora no meio da noite. Levantei me acendi a luz e adormeci tranquilamente. Nas noite seguintes apareceu uma rapariga holandesa muito simpática, e depois um rapaz do Bangladesh que vivia na Austrália e me gozava imenso. Devia pensar que era melhor que os outros, mas não era má pessoa.

De uma próxima vou experimentar Aibnbi, vários colegas estavam hospedados nesse tipo de alojamento (apartamentos disponibilizados por pessoas individuais e gostaram muito, por isso acho que também irei gostar.
- Tive uma semana quase só a falar Inglês, acho que de uma próxima tenho de me preparar melhor, estudar um pouco antes de ir. Sim porque fui criticada pelo rapazito do Bangladesh, que era professor Universitário. Porque não entendia mesmo muita coisa que o Cláudio dizia. No caso de serem alemães a falar também não percebia nada do que eles diziam. Apesar ter sido uma boa oportunidade para falar inglês, numa próxima tenho de me preparar melhor.

- Nunca me imaginei a ter uma oportunidade destas no trabalho, normalmente fico sempre com as coisas piores, os trabalhos de seca, os que ninguém quer. Tenho consciência que se houvesse outras pessoas a querer que eu não iria ter essa oportunidade, mas não havia e eu aproveitei. Até porque as pessoas normalmente não querem ir sozinhas, ou porque também não querem sair da zona de conforto, e isto são coisas que dão muito trabalho a preparar.

Esta viagem serviu também para eu avaliar as minhas capacidades em me aguentar sozinha, eu já mora sozinha, mas fora da zona de conforto é diferente. Reparei que não é para mim muito fácil integrar me em grupos, isso já sabia, mas não é fácil em lado nenhum. Foi difícil pelos problemas de comunicação, por eu nos primeiros dias estar bastante nervosa.

Os nervos e ansiedade também dificultaram a maneira como vivi essa semana, só a partir da quarta feira é que consegui relaxar. Este facto também afetou a relação com os outros, parece que as pessoas percebem quando não estás bem, ou quando estás numa condição mais frágil.

Reparei que só tenho conversas sérias, normalmente não falo de coisas triviais nem me riu muito. Acho que devemos ter conversas sérias, mas também conversas triviais e sobretudo rir e estar descontraída, porque isso aproxima as pessoas e cria empatia. O sorriso é mesmo uma arma muito forte para criara relações interpessoais. Acho que o meu aspecto físico também não ajuda nada, sou muito tímida, e ainda por cima tenho um problema físico, não é que as pessoas tenham preconceitos, mas porque aparência física tem esse condão de atrair ou afastar as pessoas.

Sobre o aguentar me sozinha, sob o ponto de vista físico é tudo muito bonito, a parte psicológico já não é tão fácil. Ninguém vive bem sozinho, ninguém vive bem sem falar, ou sem ter uma palavra de apoio nem que seja um bom dia. Reparei que num dos dias estava bastante nervosa e encontrei a Fiona, uma rapariga ruiva da Inglaterra, mal comecei a falar com ela acalmei logo. Mesmo logo. Mas também estar sozinha desenvolve as capacidades de desenrasque e liberta-me da minha timidez.

Mas expência teve outros momentos que não foram só desafiados

Conheci pessoas fantásticas na universidade e entre os colegas também conheci pessoas adoráveis, mais independentes que os Portugueses. Nesta viagem estava lá uma rapariga Portuguesa que foi a pessoa com quem falei menos e criei menos empatia.

Conheci o Eduardo que era uma pessoa fantástica, até partilhou uma cerveja comigo, foi mesmo fixe da parte dele.

Fiquei a conhecer a cidade praticamente todo, graças a minha opção pelo curso de fotografia, que tinha visitas guiadas aos locais mais importantes de Valência.

Fui ao oceanário, apesar de pagar 30 euros adorei.
Passei e fiz compras sozinha e fiquei a conhecer as ruas mais importantes de Valência
Cidade da Ciência e tecnologia
Cidade da Ciência e Tecnologia





Oceanário



Fui sair à noite e aproveitei a companhia dos colegas e a noite muito alegre de Espanha. A vida nocturna em Espanha é das coisas que mais gosto começa cedo tipo 7 ou 8 da noite, ainda com a luz do dia, é espectacular, adoro.

É para repetir sem dúvida, mas para encarar as coisas de forma natural e tranquila. Tenho de fazer o trabalho que já fiz no grupo de voluntariado, e que tenho de continuamente continuar a fazer. Ou seja estar bem, se estiver acompanhada estar bem, mas se estiver sozinha continuara bem.

Cada experiência nova que vou tendo, vou me apercebendo que tenho mais trabalho a nível pessoal pela frente, não é que eu queira ser perfeita, mas sei que tenho de trabalhar mais o meu sorriso, relativamente á parte de conversas, nunca poderei ser tão séria, falar menos de dinheiros e de coisas tristes. Combater a minha timidez e o facto de ser muito introvertida. Mas há muitas características que estão na nossa génese e que devemos aceita-las, podemos melhora-las e deveremos fazer isso, mas muitas das nossas características devem ser aceites, porque não há mal nenhum em ser tímido, introvertido ou em ter outra característica qualquer, desde que estas características não nos impeçam de ser felizes.