sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Em cada ano, um novo desafio



Sísifo

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII.

Este pequeno poema não poderia fazer mais sentido para mim neste mês de Setembro – época do ano que eu considero o início do ano, porque de facto é o fim das férias grandes e o início do ano lectivo. Nesta altura começo sempre novas actividades e defino objectivos, desta vez além disso tenho um grande equilibro pela frente, encontrar um novo equilíbrio.

Como já fui contando no trabalho fiquei sem as colegas da hora de almoço, por graves chatices com uma delas, tal como contei no Post anterior. Quando pensava que iria apostar mais noutras colegas, ex. que me “crio conflitos com uma delas”. Esta expressão está porque não cheguei a entrar em conflito, eu não entra em conflito directo, até porque ela morde bem pela calada, e isso é suficiente.  Simplesmente ela me colocou de lado, ou me excluiu do mundo dela. Claro que ela é livre de falar com quem quiser e ter na sua vida que ela quiser, mas eu também tenho esse direito, por isso não a quero a ela.

Quando cheguei de férias rapidamente me apercebi que a colega “chefe” não falava comigo, mas que estranho, claro que sei o que se passou, e imagino as histórias que a Ana deve ter contado, claro que contou à maneira dela e conseguiu manipular bem a “Chefe”. De tal forma que esta me deixou de falar, e começou a ser um pouco estúpida ao ponto de até me faltar ao respeito. O que a Ana contou deve ter sido muito grave, deve ter inventado de caraças, ou se calhar nem tanto a Ana é daquelas miúdas super fofinhas, que está sempre a dar prendinhas e miminhos, que está sempre disposta a ajudar e sobretudo agradar e tinha um pai rico e estudou na Universidade Católica e tudo. No fundo muito parecida com a “Chefe” e com o Chefe

Eu não tenho nenhuma destas características por isso lixei-me, para eles só é bom que é rico e bonito, paciência, tenho de viver com as minhas imperfeiçoes e com a pobreza. O que achei mais estranho a mudança da Célia, já nos conhecemos há três anos já era tempo de saber o que eu sou capaz de fazer ou não fazer, já deveria saber qual é o meu caracter e o meu comportamento. Enfim agora deixar de me falar porque alguém lhe contou histórias. Como é que alguém aos 40 anos se deixa manipular por cusquices, ao ponto de deixar de falar. Será que a experiência de vida dela nunca a ensinou isso, ou é a tal coisa do “só diz a verdade quem é rico e bonito”, enfim…

Quando me apercebi disto deixei de falar também com a Célia, com a “Chefe tenho de falar de trabalho” com a Ana escrevi no email que não quero falar com ela, tenho mesmo que manter esta posição durante muito tempo, o máximo que conseguir. Próximas nunca o seremos, e nem voltaremos a combinar alguma coisa extra trabalho, eu não quero isso, não quero mesmo. Acho que a única coisa que quero é distância.

Tenho a noção que estou a ficar bastante isolada em termos sociais, mas também não me posso deixar “comer por maluca”, não me podem andar sempre a lixar. E este vai ser o grande desafio para o próximo ano, manter-me mais reservada no trabalho e almoçar sozinha também. Vou ter de encontrar um novo equilíbrio, sei que vou conseguir, eu sempre consigo, toda a gente consegue.

Tenho de procurar fora o que não consigo encontrar no trabalho, tenho mesmo, para isso irei aumentar mais uma aula no ginásio e procurar outras actividades que consiga fazer sozinha, sei que vai ser uma tarefa bem difícil, mas eu tenho que conseguir eu mereço ser feliz, toda a gente merece, mas eu nunca fiz mal a ninguém, pelo menos nunca o fiz de forma deliberada.

PS. Agora só escrevo sobre o trabalho, também tenho de escrever sobre coisas boas que me acontecem e também sobre as férias, porque daqui por uns anos quando voltar a ler isto vou pensar que fui uma pobre infeliz, o que não é de todo verdade.