quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Apatia do mês de agosto



Sinto o cansaço e apatia natural de quem já não tem férias desde dezembro, Nem sei como descrever o estado de alma, mas na minha cabeça paira a completa desorganização. Não me consigo concentrar no trabalho, não consigo levar uma tarefa até ao fim por mais simples que seja. Veja se em casa, quando começo a fazer qualquer coisa e interrompo logo para fazer outra, ou então vou passarinhando pelo longo corredor que separa a sala do quarto, enfim mal acabo de jantar fico sem energia para fazer o que quer que seja. Este estado não é normal, não é mesmo nada normal, tendo em conta que não está frio e eu tenho dormido bastante bem.

O mesmo se passa quando quero fazer qualquer coisa de útil no trabalho, veja-se o exemplo, desde que comecei a escrever este artigo, já o interrompi por várias vezes, já visitei duas ou três vezes o facebook e o email, já li algumas notícias, já fui à casa de banho e comi uma maçã, enfim tanta coisa, para além de ficar a pensar sabe-se lá em quê.

Não ter objectivos sempre foi para mim um motivo de adiar o trabalho ou o que tenho para fazer, preciso de prazos, datas, de cumprir objectivos e sobretudo de motivação.

No trabalho é difícil conseguir ter motivação, no mês de férias tenho pouca coisa para fazer, há pouca gente no trabalho e os colegas estão todos ausentes. Para além disso as actividades extra trabalho param todos, neste período do ano. Por isso eu, e talvez vez muita gente, utiliza este tempo de paragem ou de menos acção para fazer um balanço e definir objectivos do próximo ano.

Já reflecti várias vezes no que foi o meu ano que passou, penso que em termos pessoais cresci bastante, estou a consegui distanciar-me de algumas coisas e situações, estou a conseguir dizer alguns nãos e afastar de algumas pessoas que definitivamente não me fazem bem. Ainda não consegui distanciar me bem da Carolina, é uma pessoa que me faz muito mal, um verdadeiro amor em público e uma besta em privado. Psicóloga de profissão consegue-me manipular e deitar a baixo quando quer. Eu não me consigo desagarrar dela, ela consegue de uma ou outra forma ir controlando alguns passos que dou, uma vez que temos imenso amigos em comum. Quando estou com ela vou contando alguns pormenores da minha vida que não quero, mas que sem querer vou contando. Ainda é uma pessoa que me deixa bastante nervosa e ansiosa, cada vez menos. Num próximo artigo talvez conte porque esta pessoa mexe tanto comigo.

Outra pessoa de quem me quero distanciar é da Mónica, é muito estranha a rapariga. No sábado tivemos um jantar e reparei que só se quer aproximar de quem lhe apetece. Pensei que fosse só comigo, mas penso que não, acho que a rapariga deve ter um problema qualquer também não sei o quê, nem quero saber, só quero distância. O jantar correu bem e estive muito bem com a Manuela, a Raquel e a Joana. A Joana é mesmo uma pessoa incrível, aceita bem toda a gente, respeita toda a gente, é divertida, boa onda, quero muito conhece-la melhor. Era bom que a mantivesse como amiga.

Por isso uma das objectivos para o ano de 2016/2017 e contactar as pessoas que mais gosto, fazer um esforço para estar com elas, por mandar mensagens e por ser agradável. É também objectivo manter boas relações com os colegas de trabalho e da piscina. Estabelecer e manter relações fortes com as pessoas é um dos pontos mais importante as desenvolver este ano para mim.

Quero também cuidar mais de mim. Normalmente sou muito generosa com toda a gente, chegando a colocar os interesses dos outros à frente dos meus. Este comportamento está francamente errado e quero muda-lo mesmo. Não posso estar sempre a pensar que a pessoa x ou y precisa de uma coisa ou de outra. Primeiro os meus interesses depois os dos outros, tem mesmo que ser assim.

Outra coisa em que quero melhorar, é ser mais passiva em certas situações, sobretudo nas que não se referem a minha pessoa, quero opinar menos sobre alguns assuntos, e falar menos dos colegas de trabalho. Por vezes o calado é o melhor, já dizia a minha mãe. Nós nunca sabemos se as pessoas estão a ser honestas ou a tirar nabos da panela para nos lixarem.

Quero ser mais simpática e tolerante comigo, preciso de me mimar mais e dar mais valor aquilo que faço e aquilo que consigo, não me posso comparar com ninguém, mas eu sou uma lutadora, e não desisto com facilidade das coisas. Raramente me dou por vencida, mas tenho de controlar a minha frustração e desmotivação.

Sob o ponto de vista pessoal já tenho muita coisa definida, falta-me definir algumas actividades extra trabalho, tal como decidir se vou para o teatro ou para a dança e onde vou. Não é fácil coordenar algumas actividades semanais, até porque já tenho o voluntariado e o ginásio, que me ocupam 3 dias por semana. Mas sei que o que decidir vai ser o melhor para mim.

Este ano vai ser um desafio, a minha irmã está a começar uma luta contra uma doença num peito que nem sei bem que lhe chamar, ou então não quero chamar nada, é mesmo isso não quero chamar mesmo nada. A minha irmã e a minha mãe serão as minhas prioridades. Devido ao problema da minha irmã, vou alterar as minhas férias e guarda-las para mais tarde, para quando ela precisar, tenho também de cuidar dela e do meu sobrinho eles não podem ficar desamparados. Talvez tenha sido estes acontecimentos que me tenham deixado tão cansada e a previsão de que vou ter poucas férias, ou até que não possa realizar a viagem que tínhamos combinado há meses. Acho que nunca mais vou planear coisas com tanta antecedência, é bom ter objectivos a longo prazo, mas, temos é que viver um dia de cada dia e aproveitar o melhor que a vida tem para dar. Viver o momento seja ele bom ou mau, mas que seja consciente e o mau que passe rápido.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O que pensa da Bíblia?

“Ó minha senhora eu não penso nada, literalmente nada, é que nada mesmo” Como é que eu posso pensar em alguma coisa às 8 da manhã, quando ainda estou meia a dormir, sem ter tomado o meu café habitual e numa altura em que ando tão cansada! Para além disso não tenho grande conhecimento sobre este livro, nem tenho grande interesse em ter, é grande de mais, tem as letras muito pequenas e não tem bonecos. Eu só me interesso por livros infantis ou de banda desenhada, a Bíblia não preenche esses requisitos, por isso não me desperta a mínima curiosidade.

Hoje devo ter acordado como o “tau”, isto de ser abordado logo de manhã ao sair de casa por duas senhoras, por acaso muito bem vestidas e com muito boa aparência a falarem de religião, tem que se lhe diga, e faz me pensar, neste caso reflectir.

Uma das senhoras quando me abordou, com uma pergunto muito direta “O que pensa da Bíblia”, deixou –me completamente sem resposta, pelo menos poderia ter me dito bom dia e sorrido para mim, de certeza que me iria conquistar com muita mais facilidade, pelo menos iria ter de volta outro bom dia, um sorriso e um bom fim de semana. Mas isto não era de certeza o objetivo daquela senhora com tão boa aparência, de facto ela só queria mesmo era dar a conhecer a religião e talvez a fé dela, não sei bem, nunca percebo muito bem os que estas pessoas pretendem quando andam pela rua a distribuir papeis como de campanha eleitoral se tratasse, embora já nem os políticos façam isso, definitivamente esse é um método ultrapassado e que não resulta.

A conversa com esta senhora de muito boa aparência terminou com ela a dizer: “deixo-lhe aqui este papel para reflectir” e eu furiosa a pensar já pertenço a um grupo que nos está sempre a pedir para reflectir e eu odeio isso, é mesmo o que menos gosto nesse grupo, e vem esta pedir para reflectir, lol!

Mas ela conseguiu que eu reflectisse mesmo estando pelos cabelos com esta abordagem, os meus pensamentos levaram-me para estes dois aspectos bem distintos:

O primeiro sobre a minha figura, eu devo ter cara de santa, para atrair tantos pedintes e tantas pessoas a fazerem propaganda de religiões. A sério, mesmo a sério, porque é que as pessoas quando olham para mim acham que lhe vou dar esmola, ou que estou à procura de uma religião, ou de um sentido para a vida. Talvez até ande à procura de um sentido para a vida, mas não é na religião, acho eu. Sou uma pessoa tão séptica, acredito essencialmente naquilo que vejo, ou naquilo que tem um explicação física ou palpável, como é que é possível estarem me sempre a impingir uma religião. É engraçado muitas amigas e pessoas próximas também têm assim uma ideia um bocado estranha sobre mim. Quando falamos em assuntos tipo reiky, meditação, yoga ou vidas passadas e eu digo que isso não é a minha onda, nem isso se enquadra na minha maneira de ser, toda a gente fica admirada e comentam “o quem diria tem cara de quem gosta disso tudo”. Gostava de saber se há uma cara ou um perfil de pessoa para gostar desse tipo de coisas. Será que é por ser muito calada ou por ter uma pele branca e pálida, não sei, mas até gostava de encontrar uma resposta para isto.

O outro ponto em que pensei foi sobre o que move estas pessoas que andam pelas ruas e espalhar a religião, e no Porto há imensa gente a fazer isso.

Eu nunca percebi muito sobre o que é ter fé mesmo de verdade, embora até tenha um irmão padre, e tenha uma origem numa família profundamente católica, nunca percebi o que move esta gente. De certeza que estas pessoas crêem mesmo eu Deus e sente a sua presença dentro delas. São admiráveis as manifestações de fé, sobretudo o que leva tanta gente a reunir-se para rezar, ou o que leva tanta gente a ir por exemplo a Fátima, a Lourdes, a Meca ou aos templos Budistas ou Induz. O que as leva a fazer tantas promessas, sei lá. Embora as religiões sejam todas diferentes, acho que toda a gente procura o mesmo, ter uma vida melhor, resolver os seus problemas, estar em paz com elas e com o mundo.

Não sei se gostava de partilhar destas vivências, gostava de saber o que as pessoas sentem mesmo no íntimo e no seu coração. Eu fui educada na religião católica e ainda sou praticante. Não sei muito bem como explicar isto, mas sei o que me vai na alma, sei que sinto muito amor, amizade, compaixão (mas não pena), vontade de ser feliz e de ver as outras pessoas felizes. Também vão passando pelo meu íntimo sentimentos de dor, tristeza até ódio e raiva. Vou vivendo com muito sentimentos positivos, mas também negativos, mas não sinto nada em relação à fé e às crenças, por isso queria mesmo saber o que invade a alma dessas pessoas e a minha não.  Talvez sinto a presença de Deus da mesma forma que eu sinto o amor, ou o sentido de generosidade, em princípio deve ser isso.
 
Para amar, dar e partilhar não é preciso ter uma religião basta optar por uma vida mais simples e de mais entrega, não sei, mas talvez a fé traga esperança, ou alívio para as dores físicas e espirituais, sei que devo respeitar isso, embora não entenda muito bem, mas com em tudo na vida é uma questão de aceitar.

A aceitação vai sendo o remédio para muitas das minhas dúvidas. Mesmo com muitas questões minha cabeça, o aceitar parece me ser o melhor caminho.