Hoje estou um
pouco na espectativa, vou representar na aula de teatro, o meu primeiro texto,
escrito e encenado por mim.
O trabalho é
este como a duração entre 3 a 5 Minutos
E com os
seguintes elementos
Uma
cadeira
Uma
frase em inglês
Em
que exista um objecto redondo
O meu texto,
escrito a partir do texto a cor azul:
Recordo
todo o nosso passado, desde o tempo de liceu, tu eras um miúdo louro e de
cabelos compridos e com sardas na cara, que tocava guitarra, sim tocavas
guitarra e cantavas qq coisa, só mesmo qq coisita, mas eras o único, eras
diferente e especial, e todas a miúdas adoravam isso.
Mas
eu, eu fui a escolhida, lembro me, sim ainda me lembro, já passaram muitos
anos, mas lembro me como se fosse hoje, sentávamos nos sempre no mesmo lugar, à
beira rio, no nosso cantinho a que chamamos “flor de laranjeira”, sempre que
aqui vínhamos apanhávamos laranjas. Numa dessas vezes ocas –te uma música
de Curt Cobin para mim, só mesmo para mim. Aquela
lembras-te, era mais ou menos assim
Come as you are, as you
were,
As I want you to be
As a friend, as an old enemy
Take your time, hurry up
As I want you to be
As a friend, as an old enemy
Take your time, hurry up
Era a minha música preferida, ainda agora é das
minhas músicas preferidas, recordo-me perfeitamente, parece que ainda te estou
a ver, tu estavas muito estranho, os teus olhos brilhavam como nunca e parecias
um pouco distante. É como estivesse, agora a viver esse momento, mas só existem duas razões para mexer numa ferida, cura-la ou
abri-la ainda mais.
Huuummmm!!!! Abri-la ainda mais parece-me bem, posso ver o
que tem lá dentro, se é que tem alguma coisa de interessante lá dentro. Ou
talvez houvesse ainda muita coisa para descobrir, ou muita coisa que eu queria
que tu soubesses não ficaste a saber, mas queria que soubesses. Escrevi-te várias cartas, escrevi-te muitas vezes, escrevi-te ainda uma última carta, que
nunca chegou as tuas mãos.
Da carta que não chegou às tuas mãos, ficou
um passado memorável, não
te enviei porque alguma razão ficou por enviar, nela constam os pequenos episódios que vivemos juntos.
Rasguei-a junto ao rio, ao mesmo rio, no mesmo lugar, no
nosso cantinho “flor de laranjeira”, onde cantavas para mim, e onde nos amamos
tão intensamente, tão intensa e apaixonadamente. Da ultima vez fomos apanhados pelo meu pai e tu fugiste,
fugiste tão rapidamente, soube depois que te escondeste, mas nunca mais, nunca
mais mesmo.
Sim
eu rasguei-a junta ao rio, fiquei a olhar os pedaços de papel a
serem absorvidos pelas águas turvas. A tentativa de apagar finalmente o nosso
passado. Diria que não havia necessidade, diria que o que vivêramos não valia
assim tanto, nem mesmo três folhas escritas com o coração nas mãos,
Eu
imaginava que Eu sorria,
diante de ti, como alguém que morresse, esperando que me ouvisses e
voltasses-
Se
vale-se a pena, se eu tivesse a certeza que valia a pena Despiria as roupas e lançar-me-ia na corrente fria. Tentaria recuperar o
que conseguisse, pedaço a pedaço até me afogar de vez.
Mas
não, não valia mesmo a pena, porque para além de uma história, há sempre uma
nova história, para além de uma grande paixão há sempre um novo amor, e para elem
das nossas vidas há sempre outra vida, a vida que floresceu de nós.
Amanhã
contarei como foi, e como foi a preparação, e a reacção dos colegas, espero ter
um video, mas não sei, talvez não consiga

