segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O primeiro texto escrito por mim



Hoje estou um pouco na espectativa, vou representar na aula de teatro, o meu primeiro texto, escrito e encenado por mim.
O trabalho é este como a duração entre 3 a 5 Minutos



E com os seguintes elementos



Uma cadeira


Uma frase em inglês


Em que exista um objecto redondo



O meu texto, escrito a partir do texto a cor azul:


Recordo todo o nosso passado, desde o tempo de liceu, tu eras um miúdo louro e de cabelos compridos e com sardas na cara, que tocava guitarra, sim tocavas guitarra e cantavas qq coisa, só mesmo qq coisita, mas eras o único, eras diferente e especial, e todas a miúdas adoravam isso.


Mas eu, eu fui a escolhida, lembro me, sim ainda me lembro, já passaram muitos anos, mas lembro me como se fosse hoje, sentávamos nos sempre no mesmo lugar, à beira rio, no nosso cantinho a que chamamos “flor de laranjeira”, sempre que aqui vínhamos apanhávamos laranjas. Numa dessas vezes ocas –te uma música de Curt Cobin para mim, só mesmo para mim. Aquela lembras-te, era mais ou menos assim


Come as you are, as you were,
As I want you to be
As a friend, as an old enemy
Take your time, hurry up

Era a minha música preferida, ainda agora é das minhas músicas preferidas, recordo-me perfeitamente, parece que ainda te estou a ver, tu estavas muito estranho, os teus olhos brilhavam como nunca e parecias um pouco distante. É como estivesse, agora a viver esse momento, mas só existem duas razões para mexer numa ferida, cura-la ou abri-la ainda mais.


Huuummmm!!!! Abri-la ainda mais parece-me bem, posso ver o que tem lá dentro, se é que tem alguma coisa de interessante lá dentro. Ou talvez houvesse ainda muita coisa para descobrir, ou muita coisa que eu queria que tu soubesses não ficaste a saber, mas queria que soubesses. Escrevi-te rias cartas, escrevi-te muitas vezes, escrevi-te ainda uma última carta, que nunca chegou as tuas mãos.


Da carta que não chegou às tuas mãos, ficou um passado memorável, não te enviei porque alguma razão ficou por enviar, nela constam os pequenos episódios que vivemos juntos.


Rasguei-a junto ao rio, ao mesmo rio, no mesmo lugar, no nosso cantinho “flor de laranjeira”, onde cantavas para mim, e onde nos amamos tão intensamente, tão intensa e apaixonadamente. Da ultima  vez fomos apanhados pelo meu pai e tu fugiste, fugiste tão rapidamente, soube depois que te escondeste, mas nunca mais, nunca mais mesmo.


Sim eu rasguei-a junta ao rio,  fiquei a olhar os pedaços de papel a serem absorvidos pelas águas turvas. A tentativa de apagar finalmente o nosso passado. Diria que não havia necessidade, diria que o que vivêramos não valia assim tanto, nem mesmo três folhas escritas com o coração nas mãos,


Eu imaginava que Eu sorria, diante de ti, como alguém que morresse, esperando que me ouvisses e voltasses-


Se vale-se a pena, se eu tivesse a certeza que valia a pena  Despiria as roupas e lançar-me-ia na corrente fria. Tentaria recuperar o que conseguisse, pedaço a pedaço até me afogar de vez.


Mas não, não valia mesmo a pena, porque para além de uma história, há sempre uma nova história, para além de uma grande paixão há sempre um novo amor, e para elem das nossas vidas há sempre outra vida, a vida que floresceu de nós.



Amanhã contarei como foi, e como foi a preparação, e a reacção dos colegas, espero ter um video, mas não sei, talvez não consiga

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Porque fazemos o bem?

Porque cuidamos dos outros e do mundo que nos rodeia?

Tem mesmo de ser assim, ou deverá ser mesmo assim… Sem palavras o vídeo fala por si mesmo.




Este vídeo fez parte do boa noite, na reunião quinzenal da quarta feira passada do meu Grupo de Voluntariado, é impressionante quando estou mais desmotivada, aparecem este tipo de coisas para me lembrar que é por aqui o meu caminho, é aqui que quero estar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Uma verdadeira inspiração - Charlie Chaplin


Charlie Chaplin, sim ele mesmo, para mim um dos melhores comediantes de todos os tempos. Eu admiro porque consegue fazer rir. Fazer rir alguém é mesmo muito difícil, ainda não passou muito tempo desde que vos falei nisso. 

Para além de fazer rir, Chaplin tem muitas outras características que eu gostava de ter, sempre esteve em paz com a vida, viveu de forma feliz e descontraída. Fosse qual fosse o assunto, falou sobre ele com muito humor, inteligência e sensibilidade, característica que falta a muitos humoristas.   

Nas redes sociais tem passado insistentemente este vídeo, intitulado “O Melhor Discurso de Todos os Tempos”, não poderia deixar de o partilhar, uma vez que gostei tanto e me identifico tanto com ele.


Algumas frases vaõ me chamando atenção: 

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades". 

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. 

“O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos”. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Recados pelo facebook



Hoje tive de te telefonar, tive de ter a humildade de te telefonar, já sabia que não o ias fazer, já sei como és, por medo, ou por alguma cobardia nunca tomas a iniciativa de falar quando as coisas estão menos bem. Desta vez foi igual, mas como eu consigo perdoar tanta coisa a toda a gente, também tinha de ter a humildade para tomar a iniciativa de te ligar. Sim porque tu és minha irmã e agora estás a passar uma fase mesmo complicada da tua vida. Se te acontecesse alguma coisa agora, eu iria ficar com remorsos para toda a vida, por não te ter ligado.

Na sexta feira liguei te, não atendeste, não me lembrei que estavas com o Carlos, o teu amigo colorido, se não nunca te teria ligado. Claro mandas te uma mensagem pelo facebook, de uma foto na praia, fiquei logo a saber que estavas bem, isso foi bom, e também o motivo pela qual não me atendeste o telefone. Penso que também não te deves ter sentido bem com esta situação, porque à noite tinha mais um post no facebook com o seguinte texto:

"28-10-2016 - uma pequena parte de um diário:
A Lina Pereira, minha irmã trouxe-me flores, para além de tudo o que nos une, partilhamos também o gosto pela Natureza e pela vida".

E esta fotografia, um planta que te ofereci quando estavas no hospital, naquela sexta feira em que acordas te da operação a um cancro de mama. Escolhi flores brancas porque sei que gostas, escolhi uma planta porque é o símbolo da vida, e nessa altura é mesmo o que nós precisávamos, de vida e alegria.

Não sei qual foi o teu objectivo com este post, não sei no que estavas a pensar, nunca o vou saber, porque nunca vais ter coragem de me dizer. Acontece sempre assim quando qualquer coisa está mal, nunca falas, foges sempre e depois vais escrever, para aliviares a tua alma. Não sei se é exactamente assim mas é assim que eu te vejo.

Se soubesses o quanto fiquei triste quando vi aquele post, se soubesse o quanto eu fico triste quando não falas comigo e depois escreves coisas em público, num modo dissimulado de pedir desculpa ou de me dizeres que estas grata por qualquer coisa, afinal já nos conhecemos há 40 anos, ainda por cima somo grandes confidentes. Mas tu parece que ainda não me conheces bem, pelo menos não sabes as coisas que me deixam irritada e profundamente triste, mandar indirectas pelo facebook é uma delas.

Mas nem vou falar isso contigo não vela a pena, iria dar em discussão, para variar, quando acontece qualquer coisa menos boa, foges sempre, acabamos por nunca falar, ou se falamos discutimos, neste caso ficamos um tempo sem falar, depois quando a neura já me tem passado, eu acabo sempre por ceder e as coisas para ti ficam bem, mas para mim não, nunca ficam.

Olha, agora estou a fazer o mesmo que tu, a escrever, eu sei que tu nunca vais ler, mas eu ficarei um pouco mais tranquila, porque escrever é uma terapia, é a forma de verbalizar o que penso e desta forma e daqui por um bocado tudo isto fica muito relativo e já não terá importância até que uma situação mais ou menos parecida voltar acontecer, pois nós nunca temos a originalidade de fazer coisas diferentes até as coisas menos positivas fazemos sempre de igual forma.