Apesar de
teres ido para o Algarve estás mais presente, no memento certo, sempre com
palavras meigas e acertadas. Esta terça-feira foi igual, um telefonema de 1h.30
m, passou tão rápido que pareceu que foi de 5 minutos.
Algumas
coisas que fazem com que te deseje tudo de bom, só porque tu mereces:
Vives no
algarve e eu nunca fui ao algarve, não hesitaste em me convidar. Normalmente
ninguém me convida, deve ser por causa do meu mau feitio, mas também por causa
do meu problema de visão. É um facto que eu tenho de aceitar, nunca me
preocupei com isso enquanto era jovem. Nunca fui pessoa de muito amigos, mas
sempre tive bons amigos, e até começar a trabalhar nunca achei que a minha
condição física e social fosse motivo para ser deixada para traz. Mas até nisto
a Susana é assertiva a dizer não precisas de muitos amigos precisas de bons, ou
de alguém muito próximo mesmo. A Susana sempre teve imenso amigos porque será
que ela diz isso?
Sobre a responsabilidade
familiar, estiveste – me a contar que quando foste viver com o Hélder disseste
à família que tinha de deixar a tua avó, e que a tua responsabilidade em
relação à família terminava ali. Uma atitude corajosa, mas como tu disseste tinhas
que construir família e viver a vida que te pertencia. Disse-me que devia fazer
isso em relação a minha mãe, para não deixar de ir a casa, mas que tinha que ter
espaço para a família, e para a minha vida pessoal.
Sobre o
facto do meu irmão Augusto me dizer para ir a casa de 15 em 15 dias: “Ele quer ter o espaço dele” Quer ser ele a dissidir
o que é melhor para a sua casa”, “já tem as rotinas dele definidas e não quer
estar a chatear-se com isso”. Até nisto tu tens razão aquela é mesmo a casa
dele, é o seu espaço, talvez por isso nunca tenho feito muito esforço para
mudar.
Sobre planos
para 2018 “escreve coisas muito
concretas, com nomes com coisas para fazeres e já agora também realistas”.
Como
aprendeste isto tudo Susana?
Eu aprendo
muito com o voluntariado, mas nunca tanto como tu – “Procura coisas que venha de dentro de ti, coisas intrínsecas, por vezes
o que esses grupos dizem são muito genéricas, que pouco ou nada tem a ver
connosco”. Como é que tu sabes isso? Realmente sinto muitas vezes que isso
me acontece, não me identifico nada com o que é dito nas reflexões, sobre o
amor, o sentido de serviço ou o voluntariado, acho que preferia coisas mais
motivacionais ou coisas que me ajudassem a lidar melhor com o meu ser. Talvez
seja eu a precisar de trabalhar estes aspectos.
Como eu te
admiro, Susana, não é só por seres a minha melhor amiga, mas porque me ensinas
imenso e estás a fazer um percurso de vida notável, já tens três filhas, já
tiveste um negócio criado por ti, já fizeste um ano de missão, para além de
teres tirado um curso superior. Agora saíste da tua zona de conforto, da tua
casa confortável em Ovar, de perto da tua família e amigos, e foste procurar
uma nova vida, ou uma nova felicidade no Algarve. Como tu me disseste “Aproveita tudo o que a vida tem para te
dar, para não chegares a velha e ficares ressentida por coisas que querias ter
feito e não fizeste”. Como isso é verdade, vejo perfeitamente isso pela
minha mãe.
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