sexta-feira, 29 de julho de 2016

Não me tirem o chão, nem metade da minha alma



Esta semana que teria tudo para ser uma semana feliz, recebi a minha casa a minha mãe, irmã e o meu sobrinho, que são as pessoas mais queridas que tenho nesta vida.

Tinha tantos planos, como ir à praia, fazer um piquenique no parque, passear e até ir a Fátima, só coisas interessantes para fazer sem pensar em nada, só usufruir do calor e do verão.

Mas, há sempre um mas, no Domingo a minha irmã chegou com uma infecção urinária e pediu me para marcar uma consulta para o ginecologista, achei estranho e perguntei se não era melhor ir a um médico de clinica geral, ou urologista, ao que ela me respondeu, tanto faz, também como já há muito tempo que não vou ao ginecologista, aproveito esta oportunidade.

Tudo normal, mas tudo completamente normal, a médica como seguiu o protocolo pediu os exames habituais de rotina, análises de sangue e mamografia e ecografias. Exames que a minha irmã nem queria fazer, mas eu insisti porque como estava de férias despachava esses assuntos.

Na quarta feira passada tirei a tarde a estar com eles e como a minha irmã tinha exame ás 12 horas resolvi esperar por ela antes de ir para casa, liguei, mas não me atendia, liguei ao Samuel e ele também não me atendia, até que a minha irmã mandou uma mensagem a dizer que estava atrasada.

Fiquei mesmo muito chateada, não há paciência “Em férias nunca mais realizas exames no Porto”, confesso que estava bastante nervosa e ansiosa, um misto de chateada e com muito medo, só queria que a minha irmã estivesse bem. Nos meus pensamentos passava um misto de ficar chateada por ela demorar tanto tempo e de abraçar para mim, sem deixar que ma tirassem, e ficar sempre assim agarrada a ela, é a minha mana.

Uma auxiliar de saúde aparecia e desaparecia por uma porta enorme, quando saía dizia: “ A sua irmã está quase a sair”, “A sua irmã está bem disposta, está a falar do filho dela” quentas mais vezes ela fazia isto mais nervosa eu ficava, mas resolvi jogar damas no telemóvel com o meu sobrinho para estarmos os dois mais tranquilos.

Finalmente a minha irmã saiu e disse “Está tudo bem”, mas depois começou a chorar e disse que tinha feito uma biopsia.

Acho que fique anestesiada e tentei conforta-la, dizendo que não era nada, o Samuel e a menina da recepção fizeram o mesmo. Até o médico que fez a consulta veio falar com a minha irmã.

Fomos os três para casa em silêncio, até que a minha irmã disse, vamos fazer tudo como se não tivesse acontecido nada, para a mãe não se aperceber e assim fizemos.

Fomos almoçar os fora os quatro, como se estivéssemos felizes. Entretanto um amigo da minha irmã convidou a para um passeio e ela não queria aceitar, mas eu disse para ir e aproveitar embora não contivesse o choro. Parecia que a minha irmã me estava a fugir dos meus braços, por um lado queria só para mim, por outro queria que ela estivesse feliz, e ir ter com o amigo dela era tudo o que ela queria, e eu disse para ir e fui leva-la ao autocarro.

Agora estamos naquela fase de espera a tentar não falar sobre o assunto e nem pensar o pior. Mas cabe me a mim ir buscar os resultados. Não estou com coragem nenhuma. Ontem a minha irmã disse me para quando for buscar os exames para abrir a carta e ver. Claro que eu disse que não ía fazer isso porque não percebia nada daquilo, mas de certeza que devo perceber, só fiz isso porque não quero ser eu a dar más noticias, estou cheia de medo, mesmo com muito medo.

Já li muito na net, já questionei a minha irmã para tentar fazer um diagnóstico, sei lá, mas sei exactamente o que me resta é esperar e ganhar coragem.

Por piores que sejam as coisas não vou desistir da luta, quero mesmo ganhar este jogo.

A vida que sempre nos premiou com muita saúde, parece nos estar a trocar as voltas, por um lado a minha mãe já com bastante idade e a perder muitas capacidades físicas e mentais, por outro lado parece que estou a perder a minha irmã. Não imagino mesmo uma vida sem ela, é que não consigo imaginar.

 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O meu pseudo diário virtual



Estas páginas criadas só para recordar momentos únicos e inesquecíveis na minha vida, estão a tornar-se paginas de verdadeira terapia. Afinal depois de escrever sinto-me sempre bem mais calma. Só tenho mesmo utilizado este meio de relaxamento quando o meu coração sente que o devo fazer. Já partilhei alguns momentos que me deixam feliz, não muitos porque este blogue ainda tem pouco tempo de existência.

Mas hoje queria partilhar algo que não me tem deixado muito tranquila. Uma dessas coisas, acho que já falei nisto, é a minha pouca capacidade em fazer novas amizades. É verdade que com a idade, segundo dizem temos menos capacidade para fazer amigos novos, até porque já não temos a mente e a disponibilidade tão aberta a isso. Mas acho que esse nem é o meu caso, preciso de ter amigos, como toda a gente. Vivo numa cidade à cerca de 12 anos sem a minha família, durante os primeiros 8 anos partilhei casa, é esta questão não se colocava com tão grande intensidade porque as minha colegas até uma certa altura eram como da minha família. Também tinha um grupo de amigos que me dava muita segurança, até que começaram todos a casar e foram-se afastando, como é normal, sobretudo quando começam a ter filhos, a maior parte do tempo é para a família. Eu respeito e entendo isso perfeitamente.

Pelos vistos eu fiquei para tia, acho que nunca tive disponibilidade e abertura para ter alguém na minha vida. Talvez seja esta mesmo a minha maneira de ser, e também por este motivo não crie empatia com facilidade, só a muito custo vou criando algumas relações de amizade, muito difíceis de criar e também de manter, quando mais de amor. Como já escrevi noutra ocasião tento criar relações de afecto com duas colegas de gabinete, desejo que elas fiquem amigas para a vida. Em relação às colegas da hora de almoço, vou tendo momentos bons e outros muito difíceis, não é mesmo nada fácil.

Fora do trabalho as coisas não tem sido também muito fácies. No ginásio é o sítio onde criei melhor ambiente, mas nunca estabeleci relações muito próximas, talvez porque se restrinjam só aquele lugar e mais nada. Noutra actividade que tive o teatro, a certa altura não sei que se passou mas comecei a ficar para trás, ou um pouco de lado, já me questionei várias vezes e não encontro nenhuma explicação para isso, acho que nunca fiz nada de errado, claro para além da minha falta de jeito para o teatro, mas penso que isso não era motivo para ficar de fora, enfim a partir de Setembro há mais noutro lugar e com espectativas mais baixas. O ideal é que fosse para lá com espectativas a nível zero, porque isso seria o ideal, mas esse patamar é difícil de atingir quer nós queiramos ou não.

Noutro grupo onde me tento integrar, que é onde faço voluntariado, as coisas também não têm sido fáceis, embora já lá esteja há quatro anos, dos lugares por onde já passei neste sem dúvida é onde as relações interpessoais são mais complicadas, nunca soube bem porquê. Por um lado o público é muito igual ao de algumas igrejas, toda a gente é muito boa quando está os principais responsáveis e muito estúpida cá fora. Mas como já disse noutra altura não posso esperar que os outros mudem porque eles não vão mudar, e há duas atitudes que posso tomar, ou me adapto a esta situação ou saio, mas acho que a primeira hipótese será a melhor, a não ser que entre em desequilíbrio então será melhor sair.

Voltando ao foco pelo qual estou a escrever, também aqui nunca fiz grandes amizades, nesta altura eu sei que há algumas pessoas que gostam de mim, eu sei disso, mas a questão que me vai deixando triste é que nunca criei grandes ligações com ninguém, raramente sou convidada para alguma coisa, a não ser jantares de anos em que toda a gente é convidada. Quando estamos em grupo eu pareço sempre que fico à parte, não é que não entre nas conversas, nem que não fale para ninguém, a questão é que nunca criei aquela ligação forte e especial, que me de segurança, para quando não tenho assunto de conversa ficar perto dessa pessoa, ou quando é um evento qualquer eu ir com essa pessoa na maior, sem ter aquele friozinho na barriga de chegar e não conhecer ninguém.

É engraçado como a Telma, que chegou este ano e Sónia, que é muito pouco participativa, se integraram bem no grupo. A Sónia é porque é extremamente simpática com toda a gente e a Telma, não sei porquê, nem é muito simpática, talvez também tenha ajudado ser amiga de um dos elementos mais populares do grupo. Não sei. Da minha parte sei que me caracteriza, não sou muito simpática nem sociável, falo pouco, fico muitas vezes calada, porque não sei o que dizer,  não sou das pessoas que tenho mais dinheiro (se bem que neste contexto não deve interessar assim tanto), por vezes a falar até acho que sou arrogante, se bem que há pessoas piores. Acho que é um misto de tudo, de ter um ar frágil, de ter um problema de visão, que por si só leva à descriminação, e a todo um conjunto de factores que não me caracterizam. Tenho mesmo de aceitar uma coisa não eu não sou daquelas pessoas de quem toda a gente quer ser amigo, até bem pelo contrário, só depois de me conhecerem bem é que as pessoas começam a gostar de mim.

Já me estou a sentir mais calma e com mais energia, de uma tenho a certeza tenho de gostar é mais de mim de ser mais tolerante comigo, pensar primeiro em mim que nos outros, dar valor a coisas positivas que tenho e ter mais alegria, porque ninguém gosta de estar com pessoas tristes.

Estamos em julho, a partir de setembro é tempo de conhecer pessoas novas, vamos ver como consigo lidar com todas estas actividades e com um rol de novas pessoas que vou conhecer e outras com quem vou trabalhar ou estar. Precisava mesmo de conseguir pessoas novas na minha vida e de manter as que já tenho.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O que tenho que mudar em mim, para não ter tantas chatices.



Eu e a minha eterna generosidade, vontade de ajudar e a preocupação que os outros estejam bem, acho que estas características devem ser de origem genética e vão me causando imensas chatices. A vida tem me ensinado imenso, mas ainda tenho de evoluir mais e aprender mais, não há volta a dar. Escrever tem sido uma bela terapia, serve para eu interiorizar os pontos onde tenho de melhorar.

Alguns pontos as quais tenho de ficar mais indiferente

  • Não dar tantos ouvidos as pessoas que se queixam muito, sobretudo se forem recorrentes as queixas, é porque esse é mesmo o estado natural delas e é a maneira como querem estar na vida, eu não devo preocupar-me.
  • Em relação as pessoas que reclamam por tudo e por nada, que refilam em todas as lojas ou lugares onde vão. É um pouco estranho que nada nem ninguém esteja bem para elas, o mais certo é que não estejam bem com elas mesmas. O melhor é nem ligar nem dar importância ao que dizem. Cada um deve fazer um esforço para estar bem consigo mesmo, a minha atitude deverá ser afastar-me e não me deixar influenciar, nem entrar na onda das queixas e das reclamações.
  • Em relação aos teimosos por natureza, ou aos teimosos só porque se querem exibir. Não há paciência para este tipo de pessoas. Quem quer mostrar que sabe mais que os outros que vá para uma universidade fazer um doutoramento, um canudo sempre foi e será um “símbolo de inteligência”. Se a pessoa quer dar nas vistas, que vá para a televisão, lé é mesmo o lugar indicado para elas.
  • Outra coisa que me inquieta bastante, se uma pessoa já me fez mal tenho de estar mais atenta, porque ela não vai mudar e quem faz uma faz duas. Quem tem mesmo que mudar sou eu.
  • Devo estar mesmo atenta as críticas que os outros fazem à minha frente. De certeza que quando eu não estiver irão falar mal de mim, é bem verdade o ditado popular “Pela minha frente eu vejo as minhas costas”.
  • Em relação ao perdoar. Acho que nos devemos perdoar a nós mesmo e devemos ser mais meigos connosco. Perdoar aos outros só quando isso nos trouxer paz para a alma. Há uma velha máxima que perdoar não significa ter a pessoa na nossa vida. Para mim isso não é válido porque perdoar implica esquecer, e é melhor nunca esquecer porque se não ainda volto a cair na mesma armadilha.

Bolas mas hoje eu estou mesmo com um tipo de escrita de quem está nervosa, não tem nada a ver com os posts anteriores, que espelhavam alguma felicidade e paz interior. `

É verdade ontem acabei de me chatear pela “356 vez ou mais, já nem as conto” com a minha antiga colega de casa. Dividi apartamento com a Luísa durante 8 anos. Durante 6 com um relativo equilíbrio, embora eu tenha –me várias vezes chateado com a Ana e agora eu sei porquê. A Luísa quando estava comigo falava mal da Ana, quando estava com a Ana falava mal de mim. Se eu nunca me deixei influenciar pelo que a Luísa dizia, a Ana já não era bem assim, várias vezes deixou de falar comigo. No entanto deveria ter confrontado a Luísa com o que supostamente a Ana dizia, mas as coisas foram ficando por dizer e quando a Ana saiu lá de casa, nós mal falávamos até ao ponto de não termos ficado amigas, que seria natural, durante uma convivência de tantos anos.


Deste assunto ainda falarei noutros posts, se o meu coração achar que sim.

Voltando ao motivo pelo qual estou tão instável hoje. Na sexta feira passada a Luísa, que está a fazer mudanças para uma casa nova, queixava-se imenso que não conseguia fazer limpezas na casa nova sozinha. Um pouco com pena dela, disse posso pedir à Célia, minha colega de gabinete, o contacto da empresa que faz limpezas na casa dela. A Célia é daquelas pessoas que diz bem de toda a gente, mas também é muito exigente no trabalho e quando não gosta de qualquer coisa arranja sempre uma maneira subtil e delicada de dizer o que pensa e fazer o que quer.

Mas continuando pedi o contacto da empresa de limpeza e dei a Luísa, na conversa mantida pelo facebook que ela criou, sem fotografia, disse que ninguém lhe atendia o telemóvel, e passado um bocado já disse que a atenderam e que tinha marcado para sábado á tarde.

Até que tudo certo, mil maravilhas a Luísa tem o problema dela resolvido. No entanto achei estranho ver no facebook uma foto dela na praia, precisamente no sábado à tarde, pensei é estranho, mas devo ter feito algum tipo de confusão, tudo bem, já passou.

Segunda feira logo de manhã, vi duas chamadas da Luísa, que por acaso também é minha colega de trabalho, e pensei que estranho, as coisas no sábado correram mesmo mal. Entretanto a Luísa ligou para a Célia e eu apercebi da conversa, embora não saiba mesmo o que elas disseram, tentei abstrair-me da conversa.

Claro fui basculhar o facebook, para ver se a fotografia era mesmo correcta, eu não me tinha enganado, no que tinha visto. E não e reparei em muito mais. Passado uns minutos verifiquei a Luísa tinha bloqueado o facebook, e que tinha criado um perfil sem fotografia para falar comigo, enfim tanta trapalhada. È claro que pedi desculpa à Célia pela situação e falei com a Alice sobre o assunto, que me disse que já sabia disso, porque a Luísa estava muito nervosa de manhã.

Desta vez não fiquei calada e confrontei a Luísa em frente a bastantes pessoas, só porque acho que não devo ser apanhada por maluca, não poderia ser.

Resumo da trapalhada toda, a Luísa foi para a praia, sem sequer dar cavaco a senhora da limpeza e depois queria fazer –se de vitima e criar conflito entre mim e a Célia.

Saiu o tiro pela colatura, desta vez não conseguiu, espero continuar a lembra-me disto, não posso deixar que este tipo de coisa me aconteçam. Até porque durante os dois anos que dividi apartamento com ela, este tipo de mal entendidos estava sempre acontecer, eu sempre a tentar ajudar e ela sempre a tentar enganar e com pouco, mesmo muito pouca inteligência para o fazer.

O que me irrita nesta história toda é que a Luísa não tem nenhuma inteligência para mentir, mas eu vou sempre caindo nas armadilhas dela, e sei lá porquê, nunca pensei que esta situação fosse dar tanta confusão e que ela ainda tentasse fazer-se amiguinha da Célia para me tramar. Acho que essa moça não pode ver ninguém bem ou feliz. Mas ela não vai mudar eu é que tenho de me afastar ou ser mais cautelosa na relação que mantenho com ela. Enfim……

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Pensar no outro, como se fosse nosso irmão



Ontem li este texto no facebook, por acaso partilhado pela minha irmã, talvez não tivesse sido por acaso que ela o partilhou. Mas eu li e fez todo o sentido para mim. 

"Lembraste daquela história que nos contavam na catequese, quando eramos crianças?

A história de dois irmãos. Um era casado e tinha filhos. O outro era solteiro e vivia sozinho.
Chegou o tempo das colheitas e uma noite, quando já estavam deitados o irmão que era casado disse para a mulher:
- O meu irmão vive sozinho, como não tem ninguém para o ajudar vou colocar uns molhos de trigo no monte dele.
E assim fez.
O irmão solteiro a meio da noite também pensou para consigo, eu sou solteiro, não tenho mulher e filhos para sustentar, por isso vou levantar-me e colocar uns molhos de trigo no monte do meu irmão, que precisa mais que eu que tem mulher e filhos. E assim fez.
Os dois repetiram o gesto durante duas ou três noites, e todos os dias ficavam admirados como é que os seus montes não diminuíam, tendo eles retirado de lá vários molhos de trigo.
Até que à terceira ou quarta noite os dois irmãos se encontraram, cada um com os seus molhos de trigo às costas para colocar no monte do outro.
É apenas um exemplo de generosidade e de caridade fraterna. Lembro-me dela porque por vezes encontro alguém como tu que se encaixa bem nesta história".
 

Normalmente quando a minha irmã partilha um texto, é dedicado alguém, ou é para reclamar de algo. Não quero dizer que este texto me tenha sido dedicado, nem de longe nem de perto, apesar de ter acabado de pagar as férias à minha irmã e ao meu sobrinho. Fi-lo também por interesse meu, porque quero e preciso de companhia para ir de férias. Mas também quero dar um miminho as pessoas que mais gosto na vida, embora sacrifique outra que também o merece, pois é um tempo que não estarei com ela, minha mãe e esta altura coincide com as festas da minha terra. Sei que era um miminho que lhe dava, sei que é uma coisa que ela gosta, mas não tinha planeado isto, não era exactamente o que queria, se tivesse conseguido a viagem noutras datas. Espero ainda ir a mais algumas festas com a minha mãe, e a Fátima também, eu quero muito vê-la feliz. Para mim não é muito fácil lidar com estas decisões, nunca foi. Quando faço opção por uma coisa fico sempre a pensar que era melhor ter escolhido a outra.

Mas voltando à questão da generosidade, da partilha e da minha irmã, ou irmãos. Várias vezes penso que faço imenso por eles, não é que não mereçam, merecem com toda a certeza, embora nós não sejamos os melhores amigos, nunca faltou interajuda e união entre nós. Em relação à minha irmã não sei, talvez nunca saberei, se estivéssemos em campos opostos qual seria a reacção dela, mas também não interessa. O importante é que corra tudo bem e estejamos felizes. 

Esta história fez me reflectir sobre outras coisas, por um lado, sobre o sentido de dar sem qualquer interesse. Embora eu não acredite nisso, muita gente diz, “aquilo que dás vais receber a dobrar” ou “ se fizeres o bem receberás o bem, se fizeres mal receberás o mal”. Acho que nós deveremos sempre dar, sem interesse sem estar à espera de nada, dar só porque sim. Para mim isso sempre foi o princípio de tudo, talvez por isso nunca tenho acreditado no puder da oração ou das promessas. Para mim a generosidade deverá se espontânea, sempre que dei ou fiz algo por alguém foi porque sentia algo dentro do meu peito não sei bem explicar o quê. Só queria que o outro se sentisse melhor e mais feliz.

Outra coisa que me faz pensar esta questão da generosidade, é o pensar mais no outro que em nós. Acho que ando num período um pouco egocêntrico. Ainda há dias estava a preparar uma prenda de anos para uma colega de trabalho, uma garrafa de vinho personalizada, não é que eu não me sentisse bem a fazê-lo, mas sinceramente acho que a pessoa não o merecia, nem lhe deu o valor que tinha, ou seja não deu valor ao cuidado com que eu preparei essa prenda. Mas eu tinha plena consciência disso, e também sei que ela nem ninguém do trabalho fariam isso por mim. 

Não é a primeira, nem será a última vez que faço qualquer coisa para alguém que acho que não merece. Se há uns tempos achava isso uma fatalidade da vida, ou estava sempre à espera de ser retribuída, agora já não penso tanto assim, e tenho trabalhado muito a questão do cuidar mais de mim e de exigir aos outros que cuidem também de mim, ou dizer eu também estou aqui também mereço. Talvez se não fazes nada por mim também não farei nada por ti. Acho que isto não será uma questão de falta de generosidade mas sim de cuidar da minha auto-estima.

Nós não nunca cuidaremos bem dos outros se nós não estivermos bem, disso eu tenho a certeza, sempre tive, mas é uma parte em mim que tenho de trabalhar mais. Nunca colocar os interesses dos outros em primeiro lugar, ou pelo menos antes dos meus, aprender a dizer não, quando tenho mesmo que o dizer. 

Eu sei que pelo facto de ter origem numa família humilde, e pobre materialmente também, fez de mim pouco exigente. Durante a minha juventude nunca reclamei de nada, se alguém se esquecia de mim, ou não me dava os parabéns, era natural e normal. Por exemplo quando andava no carro de com mais de uma pessoa, optava por ir sempre para o banco de traz. Este é só um exemplo da prioridade que sempre dei aos outros, inconscientemente ainda é uma coisa que faço, embora isto nem seja generosidade nem humildade, talvez submissão, mas nunca falta de Amor Próprio.

Acho que Amor Próprio nunca me faltou, sempre cuidei bem do meu estado emocional, ainda a vertente da minha vida que cuido mais. Preocupo-me imenso com a paz interior, com o estar feliz, de consciência tranquila, com o sair dos estados mais tristes e depressivos. Não tenho namorado, mas sempre cuidei muito da minha parte física, embora não use maquiagem, sempre procurei bons cremes, ter sempre a depilação em dia, ter cuidado com alimentação e sobretudo com a saúde. Sendo esta uma parte física sempre dei importância ao conforto do calçado, à roupa interior, ao toque macio da pele, ao cheirar bem, porque estes factores influenciam o meu bem estar. 

Sei que neste texto me desviei muito do assunto principal ou seja da questão da generosidade, que devo cultiva-la sem dúvida, é bom partilhar o que temos, sem dúvida que somos mais felizes em dar que a receber, aliás não gosto que me dêem nada, prefiro ser eu a dar ou a ouvir os outros do que a falar. Nunca deverei é confundir a generosidade de colocar os interesses dos outros à frente dos meus.