segunda-feira, 25 de julho de 2016

O meu pseudo diário virtual



Estas páginas criadas só para recordar momentos únicos e inesquecíveis na minha vida, estão a tornar-se paginas de verdadeira terapia. Afinal depois de escrever sinto-me sempre bem mais calma. Só tenho mesmo utilizado este meio de relaxamento quando o meu coração sente que o devo fazer. Já partilhei alguns momentos que me deixam feliz, não muitos porque este blogue ainda tem pouco tempo de existência.

Mas hoje queria partilhar algo que não me tem deixado muito tranquila. Uma dessas coisas, acho que já falei nisto, é a minha pouca capacidade em fazer novas amizades. É verdade que com a idade, segundo dizem temos menos capacidade para fazer amigos novos, até porque já não temos a mente e a disponibilidade tão aberta a isso. Mas acho que esse nem é o meu caso, preciso de ter amigos, como toda a gente. Vivo numa cidade à cerca de 12 anos sem a minha família, durante os primeiros 8 anos partilhei casa, é esta questão não se colocava com tão grande intensidade porque as minha colegas até uma certa altura eram como da minha família. Também tinha um grupo de amigos que me dava muita segurança, até que começaram todos a casar e foram-se afastando, como é normal, sobretudo quando começam a ter filhos, a maior parte do tempo é para a família. Eu respeito e entendo isso perfeitamente.

Pelos vistos eu fiquei para tia, acho que nunca tive disponibilidade e abertura para ter alguém na minha vida. Talvez seja esta mesmo a minha maneira de ser, e também por este motivo não crie empatia com facilidade, só a muito custo vou criando algumas relações de amizade, muito difíceis de criar e também de manter, quando mais de amor. Como já escrevi noutra ocasião tento criar relações de afecto com duas colegas de gabinete, desejo que elas fiquem amigas para a vida. Em relação às colegas da hora de almoço, vou tendo momentos bons e outros muito difíceis, não é mesmo nada fácil.

Fora do trabalho as coisas não tem sido também muito fácies. No ginásio é o sítio onde criei melhor ambiente, mas nunca estabeleci relações muito próximas, talvez porque se restrinjam só aquele lugar e mais nada. Noutra actividade que tive o teatro, a certa altura não sei que se passou mas comecei a ficar para trás, ou um pouco de lado, já me questionei várias vezes e não encontro nenhuma explicação para isso, acho que nunca fiz nada de errado, claro para além da minha falta de jeito para o teatro, mas penso que isso não era motivo para ficar de fora, enfim a partir de Setembro há mais noutro lugar e com espectativas mais baixas. O ideal é que fosse para lá com espectativas a nível zero, porque isso seria o ideal, mas esse patamar é difícil de atingir quer nós queiramos ou não.

Noutro grupo onde me tento integrar, que é onde faço voluntariado, as coisas também não têm sido fáceis, embora já lá esteja há quatro anos, dos lugares por onde já passei neste sem dúvida é onde as relações interpessoais são mais complicadas, nunca soube bem porquê. Por um lado o público é muito igual ao de algumas igrejas, toda a gente é muito boa quando está os principais responsáveis e muito estúpida cá fora. Mas como já disse noutra altura não posso esperar que os outros mudem porque eles não vão mudar, e há duas atitudes que posso tomar, ou me adapto a esta situação ou saio, mas acho que a primeira hipótese será a melhor, a não ser que entre em desequilíbrio então será melhor sair.

Voltando ao foco pelo qual estou a escrever, também aqui nunca fiz grandes amizades, nesta altura eu sei que há algumas pessoas que gostam de mim, eu sei disso, mas a questão que me vai deixando triste é que nunca criei grandes ligações com ninguém, raramente sou convidada para alguma coisa, a não ser jantares de anos em que toda a gente é convidada. Quando estamos em grupo eu pareço sempre que fico à parte, não é que não entre nas conversas, nem que não fale para ninguém, a questão é que nunca criei aquela ligação forte e especial, que me de segurança, para quando não tenho assunto de conversa ficar perto dessa pessoa, ou quando é um evento qualquer eu ir com essa pessoa na maior, sem ter aquele friozinho na barriga de chegar e não conhecer ninguém.

É engraçado como a Telma, que chegou este ano e Sónia, que é muito pouco participativa, se integraram bem no grupo. A Sónia é porque é extremamente simpática com toda a gente e a Telma, não sei porquê, nem é muito simpática, talvez também tenha ajudado ser amiga de um dos elementos mais populares do grupo. Não sei. Da minha parte sei que me caracteriza, não sou muito simpática nem sociável, falo pouco, fico muitas vezes calada, porque não sei o que dizer,  não sou das pessoas que tenho mais dinheiro (se bem que neste contexto não deve interessar assim tanto), por vezes a falar até acho que sou arrogante, se bem que há pessoas piores. Acho que é um misto de tudo, de ter um ar frágil, de ter um problema de visão, que por si só leva à descriminação, e a todo um conjunto de factores que não me caracterizam. Tenho mesmo de aceitar uma coisa não eu não sou daquelas pessoas de quem toda a gente quer ser amigo, até bem pelo contrário, só depois de me conhecerem bem é que as pessoas começam a gostar de mim.

Já me estou a sentir mais calma e com mais energia, de uma tenho a certeza tenho de gostar é mais de mim de ser mais tolerante comigo, pensar primeiro em mim que nos outros, dar valor a coisas positivas que tenho e ter mais alegria, porque ninguém gosta de estar com pessoas tristes.

Estamos em julho, a partir de setembro é tempo de conhecer pessoas novas, vamos ver como consigo lidar com todas estas actividades e com um rol de novas pessoas que vou conhecer e outras com quem vou trabalhar ou estar. Precisava mesmo de conseguir pessoas novas na minha vida e de manter as que já tenho.

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