Estas páginas criadas só para
recordar momentos únicos e inesquecíveis na minha vida, estão a tornar-se
paginas de verdadeira terapia. Afinal depois de escrever sinto-me sempre bem
mais calma. Só tenho mesmo utilizado este meio de relaxamento quando o meu
coração sente que o devo fazer. Já partilhei alguns momentos que me deixam
feliz, não muitos porque este blogue ainda tem pouco tempo de existência.
Mas hoje queria partilhar algo que
não me tem deixado muito tranquila. Uma dessas coisas, acho que já falei nisto,
é a minha pouca capacidade em fazer novas amizades. É verdade que com a idade,
segundo dizem temos menos capacidade para fazer amigos novos, até porque já não
temos a mente e a disponibilidade tão aberta a isso. Mas acho que esse nem é o
meu caso, preciso de ter amigos, como toda a gente. Vivo numa cidade à cerca de
12 anos sem a minha família, durante os primeiros 8 anos partilhei casa, é esta
questão não se colocava com tão grande intensidade porque as minha colegas até
uma certa altura eram como da minha família. Também tinha um grupo de amigos
que me dava muita segurança, até que começaram todos a casar e foram-se
afastando, como é normal, sobretudo quando começam a ter filhos, a maior parte
do tempo é para a família. Eu respeito e entendo isso perfeitamente.
Pelos vistos eu fiquei para tia,
acho que nunca tive disponibilidade e abertura para ter alguém na minha vida. Talvez
seja esta mesmo a minha maneira de ser, e também por este motivo não crie empatia
com facilidade, só a muito custo vou criando algumas relações de amizade, muito
difíceis de criar e também de manter, quando mais de amor. Como já escrevi
noutra ocasião tento criar relações de afecto com duas colegas de gabinete,
desejo que elas fiquem amigas para a vida. Em relação às colegas da hora de
almoço, vou tendo momentos bons e outros muito difíceis, não é mesmo nada
fácil.
Fora do trabalho as coisas não
tem sido também muito fácies. No ginásio é o sítio onde criei melhor ambiente,
mas nunca estabeleci relações muito próximas, talvez porque se restrinjam só
aquele lugar e mais nada. Noutra actividade que tive o teatro, a certa altura
não sei que se passou mas comecei a ficar para trás, ou um pouco de lado, já me
questionei várias vezes e não encontro nenhuma explicação para isso, acho que
nunca fiz nada de errado, claro para além da minha falta de jeito para o
teatro, mas penso que isso não era motivo para ficar de fora, enfim a partir de
Setembro há mais noutro lugar e com espectativas mais baixas. O ideal é que
fosse para lá com espectativas a nível zero, porque isso seria o ideal, mas esse
patamar é difícil de atingir quer nós queiramos ou não.
Noutro grupo onde me tento
integrar, que é onde faço voluntariado, as coisas também não têm sido fáceis,
embora já lá esteja há quatro anos, dos lugares por onde já passei neste sem dúvida
é onde as relações interpessoais são mais complicadas, nunca soube bem porquê.
Por um lado o público é muito igual ao de algumas igrejas, toda a gente é muito
boa quando está os principais responsáveis e muito estúpida cá fora. Mas como
já disse noutra altura não posso esperar que os outros mudem porque eles não
vão mudar, e há duas atitudes que posso tomar, ou me adapto a esta situação ou
saio, mas acho que a primeira hipótese será a melhor, a não ser que entre em desequilíbrio
então será melhor sair.
Voltando ao foco pelo qual estou
a escrever, também aqui nunca fiz grandes amizades, nesta altura eu sei que há
algumas pessoas que gostam de mim, eu sei disso, mas a questão que me vai
deixando triste é que nunca criei grandes ligações com ninguém, raramente sou convidada
para alguma coisa, a não ser jantares de anos em que toda a gente é convidada.
Quando estamos em grupo eu pareço sempre que fico à parte, não é que não entre
nas conversas, nem que não fale para ninguém, a questão é que nunca criei
aquela ligação forte e especial, que me de segurança, para quando não tenho
assunto de conversa ficar perto dessa pessoa, ou quando é um evento qualquer eu
ir com essa pessoa na maior, sem ter aquele friozinho na barriga de chegar e
não conhecer ninguém.
É engraçado como a Telma, que
chegou este ano e Sónia, que é muito pouco participativa, se integraram bem no grupo.
A Sónia é porque é extremamente simpática com toda a gente e a Telma, não sei
porquê, nem é muito simpática, talvez também tenha ajudado ser amiga de um dos
elementos mais populares do grupo. Não sei. Da minha parte sei que me
caracteriza, não sou muito simpática nem sociável, falo pouco, fico muitas
vezes calada, porque não sei o que dizer, não sou das pessoas que tenho mais dinheiro
(se bem que neste contexto não deve interessar assim tanto), por vezes a falar
até acho que sou arrogante, se bem que há pessoas piores. Acho que é um misto
de tudo, de ter um ar frágil, de ter um problema de visão, que por si só leva à
descriminação, e a todo um conjunto de factores que não me caracterizam. Tenho
mesmo de aceitar uma coisa não eu não sou daquelas pessoas de quem toda a gente
quer ser amigo, até bem pelo contrário, só depois de me conhecerem bem é que as
pessoas começam a gostar de mim.
Já me estou a sentir mais calma e
com mais energia, de uma tenho a certeza tenho de gostar é mais de mim de ser
mais tolerante comigo, pensar primeiro em mim que nos outros, dar valor a
coisas positivas que tenho e ter mais alegria, porque ninguém gosta de estar
com pessoas tristes.
Estamos em julho, a partir de setembro
é tempo de conhecer pessoas novas, vamos ver como consigo lidar com todas estas
actividades e com um rol de novas pessoas que vou conhecer e outras com quem
vou trabalhar ou estar. Precisava mesmo de conseguir pessoas novas na minha
vida e de manter as que já tenho.

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