sexta-feira, 1 de julho de 2016

Eu sei porque estás tão feliz


Dá gosto olhar para ti e estar contigo. Sempre foste muito doce, e tranquila, o símbolo perfeito de quem escolheu uma vida para amar e cuidar, mas agora tens um sorriso e uma calma, que é inexplicável, mas que eu entendo perfeitamente o que sentes. Parece que te libertaste de um fardo bem pesado e estás livre para seguir os teus sonhos e o teu caminho.

Vais trabalhar para Seia, para um lugar mágico, para uma casa cheia de pessoas bem especiais, quem têm só como objectivo viver para serem felizes. Como eu me identifico com este mundo e com esta forma de estar na vida. Acho que foi o único lugar no mundo onde fui aceite tal como sou. Nunca ninguém me perguntou qual era o meu problema de visão, ou porque era vegetariana. Simplesmente perguntaram o nome, e isso é tudo. Nunca senti que tenham dado mais atenção a uma pessoa que a outra, nunca senti houvesse algum tipo de preferência pessoal (claro que instintivamente as pessoas criam mais empatia com umas do que com outras). Falam com toda a gente da mesma forma e com o respeito que todo o ser Humanos deve receber. Pura e simplesmente aceitam-te como és, o que consegues fazer, com as tuas capacidades ou incapacidades, fazendo tudo ao teu ritmo e com a tua capacidade de aprendizagem, és tu próprio, é a tua essência, a tua génese a tua maneira de ser, nada mais, só tu em plena harmonia com comunidade e a natureza.

É para mim muito difícil descrever o que sinto, em relação a este lugar, à casa de Santa Isabel em Seia, mesmo passado um ano de lá ter estado durante 15 dias. Ter estado neste lugar foi a melhor coisa que poderia ter feito enquanto voluntária do G.A.S. Porto. Já tenho quase 40 anos, e já passei por muitos lugares, confesso que raramente me deram a hipótese de estar nos melhores sítios, ou ter as melhores oportunidades, ou de ser escolhida para uma coisa que toda a gente queria. Estarei sempre muito grata a este grupo, e agradeço à vida por ter colocado o G.A.S. Porto no meu caminho.

Os colegas que vão este ano, estão já a fazer os preparativos para a missão deste ano, eu vou recordando todos os momentos felizes que passei no ano passado, desde que soube que iria fazer missão em Seia, foram realmente momentos muito bons, que quero mesmo repetir. Valeu a pana não ter ido fazer a caminhada a Santiago de Compostela, valeu a pena ter abdicado de 10 dias de férias do ano passado e ter gasto mais 4 dias deste anos. Valeu a pena a espera, tudo valeu a pena, e continua a valer.

Seia é mesmo um lugar onde quero regressar, e que quando o meu corpo físico lá voltar sei que vou sentir as mesmas sensações de há um ano atrás, sei que vou ser lá feliz. Falo só na minha vertente física, porque um pouco da minha alma pertence a esta casa.

Quando olho para a Susana, imagino-me a fazer o mesmo, a deixar tudo, casa, trabalho, amigos, a qualidade de vida no Porto, e ir para lá, para uma aldeia no interior, parecida a que me viu nascer e da qual fujo a sete pés, por ser tão isolada. Imagino-me a viver numa comunidade sem salário, e a trabalhar para um bem comum.

Penso que no meu íntimo sempre tive este sonho, que está agora tanto na minha mente, por ter vivido esta experiência, mas também por ver a Susana tão feliz.

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