sexta-feira, 8 de julho de 2016

Pensar no outro, como se fosse nosso irmão



Ontem li este texto no facebook, por acaso partilhado pela minha irmã, talvez não tivesse sido por acaso que ela o partilhou. Mas eu li e fez todo o sentido para mim. 

"Lembraste daquela história que nos contavam na catequese, quando eramos crianças?

A história de dois irmãos. Um era casado e tinha filhos. O outro era solteiro e vivia sozinho.
Chegou o tempo das colheitas e uma noite, quando já estavam deitados o irmão que era casado disse para a mulher:
- O meu irmão vive sozinho, como não tem ninguém para o ajudar vou colocar uns molhos de trigo no monte dele.
E assim fez.
O irmão solteiro a meio da noite também pensou para consigo, eu sou solteiro, não tenho mulher e filhos para sustentar, por isso vou levantar-me e colocar uns molhos de trigo no monte do meu irmão, que precisa mais que eu que tem mulher e filhos. E assim fez.
Os dois repetiram o gesto durante duas ou três noites, e todos os dias ficavam admirados como é que os seus montes não diminuíam, tendo eles retirado de lá vários molhos de trigo.
Até que à terceira ou quarta noite os dois irmãos se encontraram, cada um com os seus molhos de trigo às costas para colocar no monte do outro.
É apenas um exemplo de generosidade e de caridade fraterna. Lembro-me dela porque por vezes encontro alguém como tu que se encaixa bem nesta história".
 

Normalmente quando a minha irmã partilha um texto, é dedicado alguém, ou é para reclamar de algo. Não quero dizer que este texto me tenha sido dedicado, nem de longe nem de perto, apesar de ter acabado de pagar as férias à minha irmã e ao meu sobrinho. Fi-lo também por interesse meu, porque quero e preciso de companhia para ir de férias. Mas também quero dar um miminho as pessoas que mais gosto na vida, embora sacrifique outra que também o merece, pois é um tempo que não estarei com ela, minha mãe e esta altura coincide com as festas da minha terra. Sei que era um miminho que lhe dava, sei que é uma coisa que ela gosta, mas não tinha planeado isto, não era exactamente o que queria, se tivesse conseguido a viagem noutras datas. Espero ainda ir a mais algumas festas com a minha mãe, e a Fátima também, eu quero muito vê-la feliz. Para mim não é muito fácil lidar com estas decisões, nunca foi. Quando faço opção por uma coisa fico sempre a pensar que era melhor ter escolhido a outra.

Mas voltando à questão da generosidade, da partilha e da minha irmã, ou irmãos. Várias vezes penso que faço imenso por eles, não é que não mereçam, merecem com toda a certeza, embora nós não sejamos os melhores amigos, nunca faltou interajuda e união entre nós. Em relação à minha irmã não sei, talvez nunca saberei, se estivéssemos em campos opostos qual seria a reacção dela, mas também não interessa. O importante é que corra tudo bem e estejamos felizes. 

Esta história fez me reflectir sobre outras coisas, por um lado, sobre o sentido de dar sem qualquer interesse. Embora eu não acredite nisso, muita gente diz, “aquilo que dás vais receber a dobrar” ou “ se fizeres o bem receberás o bem, se fizeres mal receberás o mal”. Acho que nós deveremos sempre dar, sem interesse sem estar à espera de nada, dar só porque sim. Para mim isso sempre foi o princípio de tudo, talvez por isso nunca tenho acreditado no puder da oração ou das promessas. Para mim a generosidade deverá se espontânea, sempre que dei ou fiz algo por alguém foi porque sentia algo dentro do meu peito não sei bem explicar o quê. Só queria que o outro se sentisse melhor e mais feliz.

Outra coisa que me faz pensar esta questão da generosidade, é o pensar mais no outro que em nós. Acho que ando num período um pouco egocêntrico. Ainda há dias estava a preparar uma prenda de anos para uma colega de trabalho, uma garrafa de vinho personalizada, não é que eu não me sentisse bem a fazê-lo, mas sinceramente acho que a pessoa não o merecia, nem lhe deu o valor que tinha, ou seja não deu valor ao cuidado com que eu preparei essa prenda. Mas eu tinha plena consciência disso, e também sei que ela nem ninguém do trabalho fariam isso por mim. 

Não é a primeira, nem será a última vez que faço qualquer coisa para alguém que acho que não merece. Se há uns tempos achava isso uma fatalidade da vida, ou estava sempre à espera de ser retribuída, agora já não penso tanto assim, e tenho trabalhado muito a questão do cuidar mais de mim e de exigir aos outros que cuidem também de mim, ou dizer eu também estou aqui também mereço. Talvez se não fazes nada por mim também não farei nada por ti. Acho que isto não será uma questão de falta de generosidade mas sim de cuidar da minha auto-estima.

Nós não nunca cuidaremos bem dos outros se nós não estivermos bem, disso eu tenho a certeza, sempre tive, mas é uma parte em mim que tenho de trabalhar mais. Nunca colocar os interesses dos outros em primeiro lugar, ou pelo menos antes dos meus, aprender a dizer não, quando tenho mesmo que o dizer. 

Eu sei que pelo facto de ter origem numa família humilde, e pobre materialmente também, fez de mim pouco exigente. Durante a minha juventude nunca reclamei de nada, se alguém se esquecia de mim, ou não me dava os parabéns, era natural e normal. Por exemplo quando andava no carro de com mais de uma pessoa, optava por ir sempre para o banco de traz. Este é só um exemplo da prioridade que sempre dei aos outros, inconscientemente ainda é uma coisa que faço, embora isto nem seja generosidade nem humildade, talvez submissão, mas nunca falta de Amor Próprio.

Acho que Amor Próprio nunca me faltou, sempre cuidei bem do meu estado emocional, ainda a vertente da minha vida que cuido mais. Preocupo-me imenso com a paz interior, com o estar feliz, de consciência tranquila, com o sair dos estados mais tristes e depressivos. Não tenho namorado, mas sempre cuidei muito da minha parte física, embora não use maquiagem, sempre procurei bons cremes, ter sempre a depilação em dia, ter cuidado com alimentação e sobretudo com a saúde. Sendo esta uma parte física sempre dei importância ao conforto do calçado, à roupa interior, ao toque macio da pele, ao cheirar bem, porque estes factores influenciam o meu bem estar. 

Sei que neste texto me desviei muito do assunto principal ou seja da questão da generosidade, que devo cultiva-la sem dúvida, é bom partilhar o que temos, sem dúvida que somos mais felizes em dar que a receber, aliás não gosto que me dêem nada, prefiro ser eu a dar ou a ouvir os outros do que a falar. Nunca deverei é confundir a generosidade de colocar os interesses dos outros à frente dos meus.

Sem comentários:

Enviar um comentário